Maria Teresa de Filippis fez história sendo a primeira mulher a competir na Fórmula 1.
Por Renata Resende

Maria Teresa de Filippis, esse é o nome da mulher que, com apenas 22 anos, se enfiou em um mundo completamente dominado por homens, conhecido como o automobilismo. Nenhum começo de texto vai ser impactante o suficiente para representar o que essa italiana fez, e como ela abriu caminho para muitas mulheres entrarem nesse esporte.
E a carreira de Maria Teresa começou com uma simples aposta entre irmãos. Parece tão comum não é mesmo? Seus irmãos não acreditavam que ela podia ser rápida, mas De Filippis, não abaixou a cabeça e apostou que seria veloz. Pegou o Fiat 500 que tinha ganhado de seu pai e se enfiou na sua 1ª competição, um percurso de 10 km de Salermo-Cava dei Tirreni.
Aí a italiana começou a formar seu currículo, e foi competindo em várias provas, chegando até ser vice-campeã do campeonato italiano. Com 28 anos, Maria Teresa chamava a atenção dos participantes do automobilismo, e a Maserati a contratou para fazer parte da sua equipe de fábrica.
Entrada na Fórmula 1

Tudo parecia incrível, Maria Teresa tinha entrado na Fórmula 1, tendo apoio dos pais, seu mentor era o Fangio, competindo pela Maserati, mas tinha pelo menos um porém. Sua contratação, assim como era comum na época para todos os pilotos, dizia que metade da premiação iria para a equipe. Entretanto, se ela não ganhasse, sairia no prejuízo.
Não que isso fosse um problema para ela. Maria Teresa vinha de uma família italiana rica, que não entendia exatamente a paixão que De Filippis tinha por carros, mas que incentivava ela. Em uma entrevista para o Motorsport Magazine (site em Inglês), a piloto disse que sua mãe não era contra ela participar das competições, porque Maria estava sempre vencendo.
Mas se dinheiro para De Filippis não era problema, receber ordens com certeza era. Em uma conversa com Enzo Ferrari, Maria Teresa chegou a bater de frente com o “il Commendatore” (Comandante), e se recusou a trabalhar para o italiano criador da Scuderia Ferrari, preferindo fazer parte da Maserati.
Maria Teresa chegou a participar de cinco Grandes Prêmios durante sua passagem pela Fórmula 1, e mesmo quando a Maserati saiu da F1, ela permaneceu com um carro privado, o modelo 250 F, e que era defasado quando comparado aos outros bólidos do grid.
Embora tenha tentado participar do Grande Prêmio de Mônaco, ela não conseguiu se classificar para a prova. Então, sua estreia na Fórmula 1 foi no Grande Prêmio da Bélgica, no circuito de Spa Francorchamps, em 1958, prova vencida por Tony Brooks (Vanwall) e ela conseguiu terminar em 10º lugar.
Na França ela não conseguiu participar, porque segundo o diretor de provas Toto Roche, o único capacete que Maria Teresa deveria usar estava no salão de beleza. No Grande Prêmio de Portugal, ela não conseguiu terminar a prova. Em Monza, na Itália, ela precisou sair da prova na 57ª volta.
Em 1959, Maria Teresa decidiu ir para a Porshe, e tentou participar de novo da etapa de Mônaco, mas sem sucesso. A “Signorina F1” (Senhorita), apelido que ganhou na sua carreira, parou de competir nesse mesmo ano, impactada pelas mortes de alguns de seus amigos na Fórmula 1.
Sua última prova seria na Alemanha, mas decidiu de última hora não ir, e foi nessa prova que Jean Behra morreu. Behra foi o piloto que a influenciou a ir para a Porshe, e sua morte foi a gota d’água para Maria Teresa sair do mundo do automobilismo.
Volta para o mundo da velocidade

Um ano depois de sair da Fórmula 1, Maria Teresa se casou com um químico Austríaco e formou sua família. Só depois de quase 20 anos sem sequer acompanhar as corridas, que De Filippis voltou a fazer parte desse mundo, até pilotando carros antigos em eventos. Em 1997, Maria Teresa de Filippis se tornou vice-presidente do clube da Maserati.
No dia 9 de janeiro de 2016, foi divulgada a notícia que Maria Teresa tinha falecido, e a causa da morte não foi divulgada. Também segundo ao jornal The Guardian, a piloto deixou seu marido Theodor Hushek, sua filha Carola e duas netas.