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  • Rússia: da influência Viking até o fim dos czares.

    Rússia: da influência Viking até o fim dos czares.

    Viajando pela história da Rússia, da chegada dos varegues até o declínio da Dinastia Romanov.

    Por Renata Resende

    Catedral de Aleksandr Niévski (Novoiarmorotchni), Níjni Nôvgorod. Imagem: Janela para a Rússia.

    Considerado um dos países mais imponentes do mundo, a Rússia tem um histórico marcante no esporte mundial, seja no asfalto da Fórmula 1 ou nos gramados da Copa do Mundo. Atualmente, devido a algumas decisões controvérsias tomadas pelo governo russo, como invadir a Ucrânia, o país foi excluído desses eventos internacionais. Mas antes de chegar no momento de sua eliminação no esporte mundial, vale lembrar como a Rússia chegou nesse ponto atual.

    Migrações, o povo eslavo e o futuro Império.

    Rurique, o lendário fundador da Rus de Kiev. Imagem: Russia Beyond BR.

    Séculos antes de Cristo, vários povos já migravam de um lado para o outro, deixavam vestígios e suas tribos por vezes se enfrentavam em vários territórios do mundo, e na Rússia não foi diferente. Tribos guerreiras como Ávaros, Protobúlgaros, Cazares (origem turca) e os Hunos (que quase acabaram com a raça do império romano) foram passando por aquelas terras, até que os eslavos chegassem e formassem a base da população russa moderna.

    Vindos do leste, os eslavos começaram a se movimentar, partindo de Kiev e Polócia para outras partes daquelas terras. E é em Kiev que começa oficialmente as histórias da Rússia, Ucrânia e Belarus, e hoje é a atual capital da Ucrânia.

    De acordo com a Crônica Primária (em inglês), livro que conta a história da Rússia de Kiev, ou Rus de Kiev, um povo conhecido como Varegues (vindos do mar Báltico), sob a liderança de Rurique e seus sucessores, conquistaram Kiev, fundou a Rus de Kiev e expandiram seu território, subjugando povos que viviam a leste de Kiev. Chegando a destruir o Império Cazar enviaram expedições militares sobre a Pérsia e o Império Bizantino. Então começaria o que seria conhecido como a “Era de Ouro de Kiev”.

    A partir daí, eles assimilaram o Cristianismo Ortodoxo (vindo dos bizantinos) e criaram o primeiro código legal escrito, o Russkaia Pravda. Mas a felicidade não durou muito, e tribos turcas nômades logo chegariam e fariam que os eslavos procurassem terras mais seguras para viver. Logo chegaria também os chamados “Tempos difíceis” nas terras russas, com invasões, fome e peste devastando o território.

    A Dinastia de Ruríque caiu em decadência, o domínio de Kiev entra e declínio, e mais povos vão invadindo a antiga Rússia. Mongóis chegaram, espalhando o terror, e junto com seus súditos turcos, invadiram a Rus de Kiev e pilharam os principados russos. Começou então o Canato da Horda Dourada, chegando a ficar no comando por mais de dois séculos. Mas além de Rus de Kiev, outro lugar também entrou para história da fundação da Rússia, a Novogárdia.

    A Novogárdia, ou Novgorod, foi uma das poucas cidades a serem poupadas do massacre dos mongóis. Os novogárdios( que tinha uma grande influência viking) liderados por Alexandre Nevski, repeliram guerreiros que tentavam invadir suas terras, na Batalha de Neva (contra o suecos) e na Batalha do Lago do Pelpus (contra os germânicos). A cidade só foi perder sua autonomia e ser anexada na Rus, quando derrotada para Moscou, ou Moscóvia.

    Moscóvia era o estado mais poderoso da Rus de Kiev, e ali iniciou o Grão-Ducado de Moscou, tendo como primeiro Grão-Duque, Ivã III, que se livrou do Canato da Horda Dourada. Além de recuperar o poder sobre o território russo, ainda foi expandindo o território. A Moscóvia reivindicou a sucessão sobre o caído Império Bizantino. Ivã chegou a se casar com Sofia Paléologa, sobrinha do último imperador bizantino, e tornou a águia bicéfala como seu brasão.

    Foi o neto de Ivã III, que teve o título de primeira Czar (“César”) da história russa. Entre os feitos de Ivã IV estão, estabelecer um novo código de leis, criar o primeiro órgão representativo na Rússia feudal e quase dobrar o território durante seu czarado. Um tempo depois, já numa má fase, e conquistando o título de “O Terrível”, Ivã enfrentou uma coalização entre poloneses, lituanos e suecos, com o objetivo de conseguir acesso ao mar Báltico e ao comércio marítimo. A derrota foi iminente.

    Além da Guerra da Livônia, os otomanos, junto com crimeanos, invadem e queimam partes de Moscou, mas os russos conseguem vencer. A Dinastia Ruríquida termina, quando morrem os filhos de Ivã, e junto com a fome que assola a Rússia, começa uma guerra civil. Partes do território russo é tomado pela comunidade Polaco-Lituana. A situação só começa a melhorar quando voluntários russos expulsam os poloneses e a Dinastia Romanov sobe ao comando.

    Entre os nomes mais famosos dos Romanov, se destaca Pedro, O Grande. O governante transformou a Rússia numa potência mundial reconhecida. Derrotou os suecos, fundou São Petersburgo e trouxe influências da Europa Ocidental para o Estado russo. Seu neto, também chamado Pedro, se casou com Catarina, e levou uma rasteira da própria esposa. Mas Catarina também fez seu nome na história russa.

    Coroação da Imperatriz Catarina II. Imagem: National Geographic Portugal.

    Além de continuar o trabalho de Pedro I, Catarina (em inglês) investiu afundo no território, criando cidades, expandindo o comércio e desenvolvendo a comunicação. Mas nem só de louros foi o governo dela. Mesmo sendo amiga de Voltaire e adepta às ideias iluministas, a imperatriz agiu diferente na prática, chegando a piorar a vida dos camponeses. Outro feito de Catarina foi participar da Partilha da Polônia, apagando o Estado temporariamente do mapa, dividindo seu território entre Rússia, Prússia e Áustria.

    Após a morte da imperatriz, seu filho Paulo assumiu o poder, mas foi Alexandre que se destacou no comando do império russo. Neto favorito de Catarina, era o czar quando Napoleão decidiu atacar a Rússia. O exército francês chegou a tomar Moscou, mas além do frio e da fome, a estratégia de recuo russo, a destruição de recursos e a logística ruim, o fez recuar. Napoleão Bonaparte, que vinha conquistando territórios para seu Império, sofreu essa derrota que não só acabou com sua carreira militar como também o humilhou.

    Ao longo do século 19 mais eventos foram acontecendo pela Rússia, com destaque para o governo do czar Nicolau I. Dentro das possibilidades da época, e sem bater de frente com os elitistas, Nicolau melhorou a qualidade de vida dos servos russos. Foram criados escolas e institutos a fim de especializar o comércio, a engenharia e a silvicultura. Surgiram também as ferrovias pelo país, mas o sistema ferroviário não ficou adequado o suficiente.

    Outro destaque fica para a guerra da Crimeia, na qual os russos enfrentaram uma coalizão entre britânicos, franceses e turcos. A Rússia sofreu severas perdas nessas batalhas e se retirou oficialmente da guerra, quando Alexandre II assume o czarado, após a morte de seu pai Nicolau I. O czar Alexandre II também ficou conhecido como “O Libertador” pois enfrentou a nobreza, libertou os servos e cedeu empréstimos para que eles pudessem comprar terras. Agora os camponeses eram livres, mas presos na dívida do empréstimo.

    Quando Alexandre II foi assassinado por revolucionários, seu filho assume como czar Alexandre III. Esse governante por sua vez era conhecido como um pacificador, não se envolvendo em guerras. Foi ele que quis disseminar a língua russa por todo o território. Após sua morte, seu herdeiro assume, e ele seria o último czar da história russa. Nicolau II, com uma coroação já impactando negativamente no país, e com um governo que causaria mudanças radicais em toda Rússia, mas isso é história pro próximo post. Até lá!

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