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  • Senna, Leclerc e as raras vezes em que Mônaco foi inesquecível

    Do duelo histórico de 1992 à vitória mais emocional de 2024.

    Ayrton Senna pilotando em Mônaco/ Imagem: Wikipédia

    Por Renata Resende

    Conhecido por muitas vezes proporcionar corridas monótonas, o Grande Prêmio de Mônaco às vezes surpreende os fãs do automobilismo e entrega cenas inesquecíveis.

    O GP de Mônaco de 1992 é um exemplo disso. A prova, que parecia praticamente vencida por Nigel Mansell, ganhou uma reviravolta dramática nas voltas finais. Décadas depois, em 2024, outra corrida no Principado voltou a emocionar o público — desta vez, arrancando lágrimas dos torcedores.

    SENNA VENCE NA FORÇA DO BRAÇO

    Em 1992, a Williams vivia sua era de supremacia na Fórmula 1. Com o melhor carro do grid, a equipe contava com Nigel Mansell e Riccardo Patrese. Em Mônaco, Mansell conquistou a pole position, seguido pelo companheiro de equipe. Ayrton Senna, da McLaren, largava em terceiro, mas tomou a posição de Patrese logo na largada. Ainda assim, o brasileiro sabia que alcançar a liderança seria uma missão difícil.

    Com o decorrer da prova, vários carros abandonaram a corrida, entre eles os brasileiros Maurício Gugelmin (Jordan Yamaha) e Roberto Moreno (Moda Judd). Perto do fim, metade do grid já estava fora da disputa. E foi justamente nas últimas voltas que o improvável aconteceu.

    Mansell precisou ir aos boxes após um problema com a fixação de uma das rodas, e a parada demorou mais do que o esperado. Senna assumiu a liderança e, mesmo com pneus já desgastados, conseguiu segurar a pressão do britânico até a bandeirada final. A defesa histórica do brasileiro entrou para a memória da Fórmula 1.

    A CASA É SUA, CHARLES

    No Grande Prêmio de Mônaco de 2024, a McLaren chamou atenção ao utilizar uma pintura especial em verde e amarelo em homenagem a Ayrton Senna, falecido há exatos 30 anos. A torcida brasileira tinha motivos para olhar com carinho para a equipe inglesa, mas outro personagem acabou roubando a cena no Principado.

    Charles Leclerc, pilotando pela Ferrari, carregava um histórico de frustrações correndo em casa. Desde sua chegada à Fórmula 1, algo sempre dava errado para o monegasco em Mônaco — fosse por erros estratégicos, problemas mecânicos ou até acidentes antes da largada.

    Mas, em 2024, a história foi diferente.

    Liderando de ponta a ponta, Leclerc finalmente conquistou sua primeira vitória em casa. E não foi apenas o resultado que emocionou o público. Nas voltas finais, a narração italiana relembrou toda a trajetória do piloto até aquele momento histórico, tornando a bandeirada ainda mais impactante. A frase “a casa é tua, Charles, a casa é tua” entrou para a história da Fórmula 1.

  • O dia em que Ayrton Senna encontrou a Fórmula 1

    Em 1983, um jovem brasileiro impressionava Frank Williams e dava início a uma trajetória histórica.

    Ayrton Senna pilotando o carro da Williams em 1983/ Imagem: Ayrton Senna

    Por Renata Resende

    Era 19 de julho de 1983, quando Ayrton Senna, que viria a ser uma lenda do automobilismo nacional e internacional, dava seu primeiro passo no mundo da Fórmula 1. Na época, ainda conhecido como Ayrton da Silva, ele vinha chamando atenção no automobilismo europeu, se destacando cada vez na Fórmula 3 Britânica. E foi a Williams, uma equipe tradicional da Inglaterra que decidiu dar a oportunidade para o piloto guiar um carro da Fórmula 1.

    Impressionado com o desempenho do brasileiro nas categorias de base, Frank Williams decidiu chamar Ayrton para ver como ele se sairia num carro da categoria de elite, dando ao brasileiro a chance de pilotar o FW08 — carro utilizado por Keke Rosberg na temporada da F1 de 1983.

    A equipe Williams-Cosworth já estava completa, —o suiço Rosberg, mas que representava a Finlândia e o irlandês Derek Daly formavam a dupla de pilotos — mas o próprio Frank queria observar pessoalmente o desempenho piloto brasileiro. E o dirigente britânico não se decepcionou.

    Durante a reportagem da gravação do teste, Reginaldo Leme pode acompanhar Ayrton dando seu primeiro passo na F1, e trouxe as impressões do piloto. Após 10 voltas aconteceu a primeira parada no box, e Ayrton revelou para Leme que tinha se acostumado com o carro até a terceira volta.

    — O negócio é sentar e pegando as reações do carro o mais rápido possível, se arriscar de fazer besteira. — afirmou Ayrton durante o treino.

    Ali na pista britânica Donington Park, Frank Williams também se mostrou surpreso, confessando para Reginaldo Leme, dizendo que ter visto um piloto se acostumar tão rapidamente a um carro que era diferente dos das categoria de base.

    Pilotando um Fórmula 1, com uma potência bem maior que um Fórmula 3, Ayrton fez 83 voltas sem cometer um único erro, e quase não parou nas quase 6 horas de pilotagem na pista britânica.

    TEMPORADA MARCANTE DA F3 BRITÂNICA

    Ainda em 1983, Ayrton continuou disputando na F3 britânica, e lutou até a última etapa fazendo algumas façanhas ao longo da temporada. Vencendo as nove primeiras corridas do campeonato, ele só não conquistou o título com maior tranquilidade por conta de problemas mecânicos ao longo do ano.

    Na última corrida da temporada, Ayrton da Silva disputou o título com Martin Brundle, na etapa de Thruxton, e o brasileiro fez um dos feitos mais memoráveis de sua carreira, quando teve a ideia de usar fita adesiva para fechar a saída de ar do radiador no carro que pilotava, para ajudar a melhorar a eficiência aerodinâmica do monoposto. Anos depois, essa cena seria recriada na série “Senna”, lançada pela Netflix.

    Anos depois daquele primeiro teste em Donington Park, o destino reservaria um desfecho trágico: seria justamente pela Williams, equipe que lhe abriu as portas da Fórmula 1, que Ayrton Senna disputaria sua última corrida.

  • Meu Ayrton: A História de Adriane Galisteu e Ayrton Senna

    Por Renata Resende

    Adriane e Ayrton/ Foto: Divulgação HBO Max

    Meu Ayrton, por Adriane Galisteu: Adriane Galisteu, personalidade brasileira e ex-namorada de Ayrton Senna, revive sua história de amor e as polêmicas após a morte do piloto.

    Novo documentário na HBO, “Meu Ayrton, por Adriane Galisteu” traz mais um pouco sobre a personalidade de Ayrton Senna fora das pistas, mas sobre a ótica da apresentadora Adriane Galisteu, que foi namorada de Senna até o momento da morte do piloto. No entanto, o documentário, dividido em duas partes, não fica preso ao romance dos dois, mas também mostra um pouco de como foi a vida de Galisteu, antes, durante e depois do namoro com Senna.

    Lendo trechos do seu livro, Caminho das Borboletas (1994), Adriane relembra momentos marcantes de sua vida. Dos problemas pessoais envolvendo sua família, da falta de dinheiro que levou ao objetivo de vida de ganhar dinheiro através de seu trabalho, Galisteu abre seu coração e sua memória ao público, revelando a personalidade por trás da modelo loira de olhos verdes.

    Ao relembrar como conheceu Ayrton, como começou à namorar o piloto brasileiro de Fórmula 1, Galisteu caracteriza o romance vivido como um conto de fadas, que além de mágico, tinha prazo para acabar.

    Trabalhando desde os nove anos como modelo, Galisteu vai contando sua trajetória pessoal e profissional, muito antes de ter qualquer envolvimento com o mundo do automobilismo, e muito menos com Ayrton. Foi trabalhando, como garota Shell, que ela conheceu Senna.

    Ao longo do documentário, presenças importantes foram aparecendo, também contando suas memórias relacionadas a Adriane e Ayrton. O jornalista Roberto Cabrini relembra como eram as reportagens com Senna, mas também fala da influência de Adriane na vida do piloto.

    Antônio Braga de Almeida Braga, também conhecido como Braguinha, foi relembrado no documentário, como uma figura paterna para Ayrton. Embora Braga tenha falecido antes do projeto ser filmado, a esposa dele, Luiza Braga, deu seu relato sobre a vida de Adriane e Ayrton, já que era uma grande amiga do piloto.

    Outra pessoa a mostrar o seu ponto de vista foi Betise Assumpção, que era assessora de imprensa de Senna. Jacir Bergmann II, o “Gordinho” também apareceu contando de sua amizade com o piloto de F1, e como foi a aproximação do casal. Mais relatos foram aparecendo como de Birgit Sauer, amiga de Ayrton, de Nuno Cobra que era o preparador físico de Senna, e de Geraldo Rodrigues, empresário de pilotos da Fórmula 1.

    Ainda no mundo da F1, Emerson Fittipaldi também marcou presença no documentário, junto com seu filho, Emerson Fittipaldi Jr, piloto confirmado para correr na Fórmula 2 em 2026, pela AIX Racing. Campeão brasileiro de Fórmula 1, Fittipaldi conta um pouco sobre Senna, e lê um trecho que escreveu como prefácio no livro de Galisteu.

    O trágico Grande Prêmio de San Marino também é relatado, e Adriane conta como foi sua vida após a morte de Senna. Ela relembra como deixou de ser a “namorada de Ayrton Senna”, o como ela seguiu com sua vida, em meio a tristeza de ter perdido o namorado, o descaso sofrido e as polêmicas que se seguiram.

    Adriane Galisteu, no documentário, consegue mostrar ao público um pouco da sua vida, mostrando o seu ponto de vista sobre aquele momento da sua vida, quando namorava Ayrton Senna. Sem atirar pedras em qualquer pessoa, Adriane relembra momentos que podem trazer nostalgia, alegria e tristeza aos fãs dela, e do piloto Ayrton Senna.

    Aos que ainda não viram o documentário ou vão rever, aí vai um conselho: não esqueça dos lenços para o choro.