Atualmente a Fórmula 1 não tem mais no calendário o Grande Prêmio da Coreia do Sul, mas os ídolos coreanos marcam presença no asfalto, não pilotando, mas fazendo parte da trilha sonora da velocidade.

Por Renata Resende
O ano era 2012 e um dos videoclipes mais acessados, no YouTube, vinha da Coreia do Sul. O sucesso do Psy, com a música Gangnam Style, seria só uma amostra do que viria a ser o K-pop no mundo, chegando até ao paddock da Fórmula 1.
Voltando na história…
O que hoje se tornou uma das indústrias mais importantes na Coreia do Sul, o K-Pop é fruto de uma tentativa de resgate de nacionalidade num país destroçado.
Quando o Império Japonês invadiu a Coreia (em inglês), os japoneses deram o máximo de si para acabarem com qualquer vestígio de identidade coreana.
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A música coreana também seria influenciada nesse tempo, e mesmo que reprimida por seus invasores, a Huimangga entraria para a história daquele povo, como uma canção de esperança.
Embora os japoneses tenham feito algum avanço naquelas terras, como na construção de uma malha ferroviária, os coreanos foram reprimidos e só se veriam livres quando a Segunda Guerra Mundial acabasse. Mas a felicidade coreana nao viria tão fácil.

A queda dos japoneses foi sentida também na Coreia, e para piorar, o país ainda se veria divido entre as maiores potências vindas com a Guerra Fria. O território coreano, em acordo com os EUA e a URSS, foi governado e divido no paralelo 38. Não demorou muito tempo para que houvesse tentativa de reunificação, mas como o post sobre a Guerra da Coreia mostrou, o estrago feito foi sentido pela península inteira.
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Agora além dos japoneses, os coreanos seriam influenciados também pelos ritmos musicais vindos junto com os soldados estadunidenses.
Na tentativa de se distrairem naquele cenário de guerra, soldados estadunidenses teriam como atração, cantores coreanos interpretando músicas que viam das terras americanas. Trazendo elementos do jazz, hip hop e outros estilos musicais dos EUA, os sons dos dois países foram se misturando o que viria a ser o K-Pop.
Batidas misturadas e coreografias inesquecíveis.

Ainda nos bailes frequentados pelos soldados ocidentais, surgiria um dos primeiros grupos musicais sul-coreanos. Formado pelas duas irmãs e a prima, Kim Sook-ja, Kim Ai-ja e Lee Min-ja, o conjunto The Kim Sisters (em inglês) fizeram um sucesso estrondoso, chegando entrar nas paradas da Billboard.
Os jovens, da parte sul da península, viriam a gostar de um tipo de música mais animada, dançante e moderna, o que foi um desagrado para o governo ditador da década de 70.
Certas músicas com letras que desagradavam o Estado chegaram a serem censuradas. Mas a repressão não deu certo e esse novo estilo musical que surgia veio para ficar.
Outro grupo musical que foi uma forte influência na cultura coreana foi o grupo Seo Taiji and Boys. Com uma proposta diferenciada, eles trouxeram uma apresentação guiada com uma coreografia complexa e sincronizada. O estilo de roupa, mais despojado também influenciou o guarda-roupa dos jovens, e alguém viu o potencial comercial disso e resolveu investir pesado nessa música.

Lee Soo-man percebeu o potencial que viria do K-Pop e criou a SM Entertinment, uma das empresas mais forte nessa indústria coreana. Investindo em um grupo de 5 coreanos, o H.O.T, Lee começou toda essa história de indústria de produzir ídolos coreanos, que ficariam treinando por anos e sendo preparados para o sucesso mundial.
Dos palcos sul-coreanos para trilha sonora da F1.
Uma das artistas mais famosas da Coreia do Sul, Rosé entrou para a trilha sonora do filme F1, estrelado por Brad Pitt e Damson Idris, com a música Messy. Além de entrar no álbum oficial, a cantora já vinha marcando presença no paddock e até na narração brasileira ela era citada.
Rosé, nasceu na Nova Zelândia mas foi na Coreia do Sul que começou sua trajetória musical. A cantora estreou pelo Blackpink, conjunto musical formado também por Lisa, Jisoo e Jennie.
Além de Rosé, outros artistas coreanos também marcam presença no paddock da Fórmula 1, como Lisa, outra das integrantes do Blackpink, e o grupo Enhypen foi convidado pela Red Bull Racing a estar no Grande Prêmio de Singapura em 2025. Mas mencionar K-Pop na Fórmula 1, não se pode esquecer a abertura icônica do Grande Prêmio da Coreia do Sul em 2012.
Perfeição fabricada.
Assim como na Fórmula 1, a indústria do K-Pop constrói uma imagem perfeita para seus artistas, pressionando-os a terem a conduta ideal em qualquer área de suas vidas. O programa de treinamento para os futuros ídolos sul-coreanos chega a ser tão intenso, que acontecem notícias de abuso.
Os jovens que entram para esse meio, trabalham por horas em coreografias e passam por procedimentos estéticos para ficar no mais perfeito padrão possível.
Além da pressão para continuarem sendo perfeitos, mesmo com a fama já conquistada, esses artistas têm a vida pessoal afetada, sendo controlados até na vida amorosa, já que o ideal é não se envolverem com outras pessoas.
Quem sabe um dia.
O circuito sul-coreano não é o mais famoso ou mais agraciado pelos fãs da F1, mas quem sabe um dia ele volte a ser palco da categoria de elite do automobilismo. Mas uma coisa é certa, a Coreia do Sul pode não sediar mais um GP de Fórmula 1, mas isso não quer dizer que ela fique de fora de seu paddock.




