Categoria: Fórmula 1

  • Rafael Câmara com os pés na Fórmula 1 em 2027.

    Rafael Câmara com os pés na Fórmula 1 em 2027.

    Com uma vaga liberada na Haas, a expectativa do Brasil é de ter dois pilotos na F1 em 2027.

    Por Renata Resende

    Com a saída oficial de Esteban Ocon da Haas, os brasileiros foram à loucura nas redes sociais. Agora a expectativa é que a Fórmula 1 afirme a notícia mais aguardada do ano pelos brasileiros:

    “Rafael Câmara assina com a Haas”

    Enquanto se espera o anúncio oficial, vale relembrar a carreira do pernambucano no automobilismo, até a possível entrada na Fórmula 1.

    De Pernambuco para o mundo

    Campeão da Fórmula 3 em 2025. Imagem: Globo Esporte

    Rafael Chaves Câmara, ou mais conhecido como Rafa Câmara, começou sua carreira antes mesmo dos dez anos.

    Nascido em Pernambuco, o filho de Paula e Amaro Câmara, Rafael começou sua carreira competindo pela Copa Brasil de Kart. Mas o piloto não se contentou em ficar restrito no asfalto brasileiro, e foi para os EUA, participar do campeonato de kart SKUSA Master Series.

    O campeonato europeu de kart, o WSK Champions Cup, foi o próximo passo, e foi nele que Rafael conseguiu seu primeiro título.

    Participando de outros campeonatos pelo mundo como a Fórmula 4, foi em 2024 na FRECA (Campeonato de Fórmula Regional Europeia) que o brasileiro teve o melhor desempenho, vencendo o campeonato, e de quebra, chamando a atenção da Scuderia Ferrari.

    Em 2025, Rafael disputou a Fórmula 3, pilotando pela Trident, e conquistou o campeonato logo no seu ano de estreia. O desempenho do pernambucano foi tão bom, que a FIA o elegeu como “Rookie do ano”.

    Neste ano de 2026, Rafa segue se destacando nas pistas. Atualmente ele está disputando o título com Nikola Tsolov. Depois da etapa do Azerbaijão, Câmara está com sete pontos de vantagem em cima do piloto búlgaro.

    Vale destacar também que Rafael disputa a F2 pela Invicta Racing, a mesma equipe em que Gabriel Bortoleto foi campeão, também na Fórmula 2.

    A Invicta já confirmou uma de suas contratações para o próximo ano de F2, tendo como piloto confirmado, Freddie Slater, vice-campeão da F3. O piloto britânico, além de já subir de categoria, ainda se tornou o primeiro membro da Academia de jovens da Audi.

    Vaga na F1 garantida?

    Rafael Câmara nos testes em Portimão. Imagem: Globo Ge

    Como membro da Academia de Pilotos Ferrari, Rafael Câmara já teve a oportunidade de participar de testes com carros antigos da Scuderia, além dos Treinos Livres na F1, mas ele também fez teste com carro de outra equipe.

    Em Portimão, autódromo de Portugal, Câmara terminou à frente de Leonardo Fornaroli (atual campeão da F2) e Rio Hirakawa (piloto reserva da Haas). O resultado do brasileiro simplesmente superou a referência estabelecida por Oliver Bearman (piloto titular da Haas), embora a própria Haas não tenha divulgado os tempos oficiais.

    A possível ida de Câmara para a equipe estadunidense, fez com que fortes rumores saíssem na mídia e no paddock da Fórmula 1. E a saída de Ocon da Haas – e, pelo menos temporariamente da F1 – só aumentou a expectativa de ter dois pilotos brasileiros na categoria de elite.

    Por sua vez, Rafael Câmara já deixou claro que está pronto para subir de categoria, e ele tem pelo menos um apoiador para isso. Chefe da Invicta, James Robinson destacou que o brasileiro vem sendo veloz desde seu primeiro contato com o carro.

    “A velocidade é simplesmente incrível”, afirmou Robinson, porém ele também ressaltou que Rafa precisa corrigir seus erros, como quando perdeu oportunidade de vencer em Montreal e em Mônaco.

    Mas levando em conta que ele é um piloto ainda novo e em amadurecimento, Rafael mostra na pista que pode se aprimorar cada vez mais.

    Próximos capítulos

    Ainda não está confirmado o contrato da Haas com Rafael Câmara, mas dada a sequência das próximas cenas, é muito provável que eu precise voltar em breve para atualizar o post, escrevendo a seguinte frase:

    “O anúncio foi feito, e em 2027 haverá dois pilotos brasileiros no grid da Fórmula 1: Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara”.

  • Jules Bianchi e seu legado na Fórmula 1.

    Jules Bianchi e seu legado na Fórmula 1.

    A morte do piloto francês que fez a F1 se preocupar ainda mais com a segurança.

    Por Renata Resende

    Jules Bianchi, o piloto que era uma promessa da Ferrari, sofreu um acidente no Grande Prêmio do Japão, e foi para o hospital com estado grave.

    A sua morte, nove meses depois do acidente, deixou um legado na segurança do carro da Fórmula 1, o Halo. O que ninguém imaginava é que esse legado acabaria salvando a vida de seu “afilhado” na F1: Charles Leclerc.

    Mau presságio.

    Jules Bianchi pilotando um Marussia. Imagem: Globo Esporte.

    A semana que ia acontecer o Grande Prêmio do Japão em 2014, estava bem agitada no país nipônico. E no fim de semana não foi diferente.

    A previsão era de que o tempo chuvoso não iria passar, e para completar, um supertufão estava chegando no Japão. Devido ao mau tempo, a FIA estava indecisa se adiantava o GP para sábado ou se adiantava o horário da prova no domingo.

    Mas o veredito final da Federação foi manter o horário já programado.

    As 15:00 foi dada a largada da corrida, mas devido a chuva, as primeiras voltas foram guiadas pelo Safety car. O temporal não dava trégua, e já na segunda volta, a prova foi paralisada.

    Quando aconteceu a relargada, depois de 20 minutos de bandeira vermelha, o carro madrinha voltou para a pista, dessa vez só saindo na sétima volta.

    Bianchi tinha largado em 19, mas aos poucos conseguia escalar o pelotão. Foi a partir a 41 volta que a situação ficou extremamente feia na pista. Felipe Massa já tinha avisado cinco vezes no rádio que a chuva piorava e que não dava para ver nada, mas foi Adrian Sutil que comprovou que estava difícil dirigir no asfalto encharcado.

    Sutil aquaplanou na pista e acabou batendo na curva Dunlop. O impacto chamou o trator resgate para o circuito, e a direção de prova acionou só as bandeiras amarelas na prova. Adrian já tinha se levantado do carro e ainda estava perto da barreira de pneus quando viu a cena se desenrolar na sua frente.

    A Tragédia.

    Jules Bianchi, infelizmente, também perdeu o controle de seu carro e assim como Sutil, aquaplanou e bateu. A diferença é que a batida foi direto na traseira do trator que retirava o bólido da Sauber da pista.

    De acordo com o site Racecar Engineering, uma das teorias é que pode ter acontecido uma falha no carro que talvez, mas talvez, pudesse ter impedido o impacto. A teoria é que Bianchi, ao tentar evitar o carro de resgate, botou o pé no freio, o que fez as rodas dianteiras travarem.

    Mas enquanto Jules acionava o freio, o outro pé ainda estava no acelerador.

    Os carros da Fórmula 1, em 2014, tinham um sistema chamado Failsafe, que é um algoritmo de software no computador de bordo. Basicamente a função desse sistema é sobrepor o acelerador e desligar o motor em situações como de Jule.

    O problema é que o carro, que Bianchi pilotava, tinha um sistema incompatível com o Failsafe. Na prática, o Coordenador de Torque do bólido do piloto francês, impediu que o Failsafe agisse como programado. O motor não desligou, o que pode ter influenciado no impacto.

    A outra teoria é que Jules talvez tenha se distraído e não conseguiu desviar a tempo. Ele até tentou desacelerar, tendo uma redução abrupta de velocidade, de acordo com o site português Observador, que teve como base o relatório acessado pelo Auto Motor und Sport.

    Ainda segundo esse relatório secreto, Jules bateu a 126 km/h e sofreu impacto de 254 G, o que foi extremamente impactante para o piloto francês.

    Situação agravante.

    Velorio de Jules Bianchi. Imagem: Lance!

    Quando o resgate chegou para Jules Bianchi, o piloto já estava inconsciente. A situação era tão grave, que do centro médico, ele precisou passar por uma cirurgia de emergência.

    No autódromo de Suzuka, a prova finalmente foi encerrada, mesmo faltando onze voltas para a bandeirada. Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Sebastian Vettel foram para o pódio, mas não tinha mais o menor clima para celebração.

    No Hospital de Mie, o piloto da Marússia precisou ficar na Unidade de Tratamento Intensivo, pois foi diagnosticado com Lesão Axonal Difusa.

    Quando o carro de Bianchi bateu no guindaste, ele entrou parcialmente debaixo da grua e o capacete do piloto bateu no veículo do resgate. Nessa pancada, junto com a desaceleração forte do carro, o cérebro de Bianchi pode ter rotacionado.

    Nesse tipo de traumatismo cranioencefálico (em inglês), os axônios- prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos- podem ser danificados. Além disso, pode ter também um inchaço no cérebro e aumento da pressão intracraniana.

    O paciente que passa por esse tipo de traumatismo pode ter perda de consciência, de seis a oito horas, e em casos ainda mais graves, pode entrar em coma.

    Jules Bianchi tinha só 25 anos quando teve a carreira encerrada após passar nove meses em coma. O piloto que era considerado um talento em ascensão, morreu nove meses depois, e foi a última vítima do asfalto da Fórmula 1 até hoje (espero que não tenha mais vítimas).

    O Legado.

    Halo no carro da Ferrari. Imagem: Autosport.

    Entre os efeitos da morte de Bianchi, teve um que causou desgosto a primeira vista. Foi introduzido na F1 o Halo, uma estrutura de titânio, que tem como função proteger o piloto que maiores danos em caso de acidente.

    Assim como qualquer inovação, vieram as críticas dizendo que o Halo estragava a essência do carro da Fórmula 1. Os próprios pilotos estranharam, mas logo na temporada de estreia, teve piloto que provavelmente ajoelhou e agradeceu, a qualquer entidade que acreditasse, pela existência do Halo.

    Coincidência ou não, o legado de Jules foi salvar logo seu “afilhado” no automobilismo, o monegasco Charles Leclerc (em inglês).

    Em 2018, foi dada a largada do Grande Prêmio da Bélgica, e ainda no início da prova, aconteceu um incidente entre Nico Hulkenberg e Fernando Alonso. O carro do piloto espanhol, nesse acidente, acabou partindo para cima do novato Leclerc.

    Um dos pneus atingiu bem na área do Halo, e se caso não tivesse essa estrutura, o impacto poderia ter sido contra a viseira do capacete de Leclerc.

    Dois anos depois, no Grande Prêmio do Bahrein, o Halo agiu novamente, dessa vez impedindo que a barreira invadisse o cockpit de Romain Grosjean, o que pioraria muito mais o acidente, já que o carro pegou fogo.

    Grojean, que tinha criticado a criação dessa estrutura, acabou sendo ajudado pela mesma. No mesmo ano, o piloto da Haas anunciou sua aposentadoria, já que o acidente impactou demais na sua vida.

    Ligação que atravessa os mundos.

    Charles Leclerc é Jules Bianchi. Imagem: Globo Esporte.

    Mesmo tendo morrido anos antes da estreia de Leclerc nas pistas da Fórmula 1, Jules Bianchi continuou cuidando de seu mentorado no automobilismo.

    Além disso, sua morte não foi em vão. Medidas de segurança foram tomadas, como uma melhoria no sistema de drenagem da pista e uma importante diretriz que fala que o início da prova tem que ser pelo menos 4 horas antes do pôr do sol ou do anoitecer.

    Em 2024, a mãe de Jules, Christine Bianchi disse, ao site Stewarts Law (em inglês) que ainda é difícil lidar com a morte do piloto, mas que fazem o que podem para manter a associação criada em homenagem ao filho.

    A família Bianchi ajuda na compra de itens para o departamento de lesões cerebrais do Hospital Archet de Nice.

    Fontes e referências

    • COLLINS, Sam. Human error at the core of Jules Bianchi crash. Racecar Engineering, 4 dez. 2014. Análise técnica baseada no relatório da FIA, incluindo informações sobre o FailSafe, o sistema Brake-by-Wire e o Torque Coordinator. Racecar Engineering — Human error at the core of Jules Bianchi crash
    • OBSERVADOR. Relatório secreto: Jules Bianchi sofreu um impacto de 254 G. 23 jul. 2015. Matéria baseada em informações divulgadas pela revista Auto Motor und Sport sobre os dados do acidente. Observador — Relatório secreto: Jules Bianchi sofreu um impacto de 254 G
    • MESFIN, Fassil B.; GUPTA, Nishant; HAYS SHAPSHAK, Angela; MARGETIS, Konstantinos. Diffuse Axonal Injury. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing. Atualizado em 7 jul. 2025. National Center for Biotechnology Information (NCBI). NCBI Bookshelf — Diffuse Axonal Injury
    • STEWARTS. Jules Bianchi’s fatal crash: reflecting on his legacy and safety in motorsport ten years on. 7 out. 2024. Informações sobre o legado de Bianchi, mudanças de segurança na Fórmula 1 e o desenvolvimento do Halo. Stewarts — Jules Bianchi’s fatal crash
    • JULES BIANCHI OFFICIAL WEBSITE. Jules Bianchi, ten years on: in the eyes of Charles Leclerc, the memory of a driver and the legacy of F1 safety. Depoimentos e informações sobre a relação entre Jules Bianchi e Charles Leclerc. Jules Bianchi — Ten years on

  • Monza: tristeza, alegria e Sará perché ti amo.

    Monza: tristeza, alegria e Sará perché ti amo.

    Voltando da década de 60 até as lágrimas de alegria em 2026.

    Tifosi no Grande Prêmio da Itália. Imagem: F1 Site oficial.

    Por Renata Resende

    O circuito de Monza sempre trouxe fortes emoções para qualquer amante de corridas, e com Enzo Ferrari e os fãs da sua escuderia não seria diferente. Em 2026, a canção Sará perchè ti amo foi a trilha sonora da vitória do italiano Kimi Antonelli, mas em 1961, a trilha sonora foi o choque dos fãs diante da tragédia.

    Leia também: Monza: uma história de glórias e tragédias.

    Monza 61.

    Yates descreve em sua biografia sobre Enzo Ferrari como o ano de 1961 estava sendo maravilhoso para o Commendatore Italiano. A Scuderia tinha conquistado a vitória nas 24 Horas de Le Mans . Na Fórmula 1, a equipe pilotada por Wolfgang von Trips e Phil Hill, estava sendo a melhor no campeonato, com seus dois pilotos disputando o campeonato de pilotos.

    A definição do título ficou para a etapa de Monza, mas ninguém contava com o estrago que aconteceria naquela prova.

    Jim Clark conseguiu ser o líder da prova, pilotando uma Lotus 21, e era perseguido por von Trips. Foi a caminho da Parabólica que a cena se desenrolou. Trips, freou bruscamente e a Ferrari e a Lotus se tocaram. Pra quê? Von Trips perdeu o controle da sua Ferrari 156, foi em direção ao público e o piloto alemão foi lançado para fora do bólido.

    O choque foi instantâneo.

    O jornalista Antônio Teixeira Neto conta, no livro Monza 61, como foi a tragédia, e fala não só sobre o piloto como também sobre as vítimas da tragédia. Infelizmente, quinze dos espectadores do público morreram, e algumas dezenas mais saíram feridas desse acidente.

    Leia também: Resenha Monza 61, a maior das tragédias da Fórmula 1.

    Consequentemente com a morte de Wolfgang von Trips, o campeão dos pilotos foi Phil Hill. Ainda no seu livro, Yates fala que Clark foi usado como um bode expiatório, embora tenha sido absolvido no julgamento, e que a culpa tecnicamente era da diligência da prova, que deixou aqueles espectadores ficarem vulneráveis diante do perigo iminente da corrida.

    Empate… na bandeirada final ?

    Em 1971, o autódromo de Monza foi palco de mais um momento icônico na Fórmula 1.

    No dia 5 de setembro de 1971, a F1 já tinha seu campeão definido, com Jackie Stewart vencendo pela Tyrrell na antepenúltima etapa. Quando chegou na corrida de Monza, não tinha mais aquela pressão de ganhar pontos, afinal, o resultado já estava feito.

    A Lotus de Emerson Fittipaldi (ainda não era a Lotus 72D) estava causando burburinhos no paddock. Se inscrevendo com o nome de World Wide Racing, a Lotus tentava evitar que o inovador e turbinado modelo 56B, ou qualquer outro equipamento fosse confiscado (consequência do acidente fatal de Jochen Rindt, um ano antes, também em Monza).

    O carro que Fittipaldi pilotava era inovador e turbinado, mas isso não queria dizer que era bom o suficiente para lutar pelo pódio.

    O Grande Prêmio da Itália chegou a ter os dois pilotos da Ferrari abandonando e ser liderado por oito pilotos diferentes ao longo da prova.

    Na hora da bandeirada, cinco pilotos cruzaram a chegada no mesmo segundo, com apenas milésimos de diferença entre eles. O vencedor da corrida, Peter Gethin (BRM) foi seguido por Ronnie Petterson (March Ford).

    Francois Cevert (Tyrrell Ford), Mike Hailwood (Surtees Ford) e Howden Ganley (BRM) fecharam o “Top 5” dos mais rápidos da prova. O brasileiro Fittipaldi terminou em oitavo. Uma curiosidade foi que um dos que abandonaram, além das Ferraris, foi então piloto Helmut Marko (também pilotando uma BRM).

    Monza agora viveria mais momentos inesquecíveis, mas dessa vez sob a pilotagem de um alemão guiando uma Ferrari. Uma dica? Foi homenageado no GP desse ano.

    Schumi, O cara da Scuderia.

    A Ferrari esse ano quis fazer aquela homenagem para Michael Schumacher, digna de arrancar lágrimas até dos fãs mais durões da F1. Colocou Rubens Barrichello e Sebastian Vettel para pilotarem o modelo F2002.

    No caso de Barrichello, ele teve a oportunidade de pilotar de novo o carro, já que em 2002 ele era companheiro de equipe de Schumacher.

    Pode-se dizer que 2002 foi um dos melhores anos para a Scuderia italiana, Das 17 provas competidas, 15 foram a alegria dos Tifosi. A etapa de Monza, foi uma das 4 vencidas pelo brasileiro (podendo ser uma das 5 se não fosse a “arte” feita pela Ferrari na Áustria).

    Schumacher venceu 11 corridas e conquistou seu pentacampeonato. A Scuderia trouxe de volta a pintura de 2002, para fazer referencia ao carro dominante. Mas nem precisa comentar que a homenagem ao piloto alemão terminou aí né? A prova de 2026, se pudesse, seria apagada da memória dos fãs e da equipe.

    Batendo na Parabólica e causando uma bandeira vermelha, Charles Leclerc foi parar no centro médico e precisará passar por mais exames antes do Grande Prêmio da Espanha, já neste final de semana.

    Mas o futuro papai monegasco não proporcionou apenas lembranças ruins para os Tifosi.

    Fratelli d’Italia no pódio.

    Charles Leclerc e a torcida tifosi no GP da Itália de 2024. Imagem: F1 Site oficial.

    Embora o Grande Prêmio da Itália seja, talvez, o mais importante para a Scuderia italiana, a Ferrari tem enfrentado jejuns de vitórias em Monza na Fórmula 1.

    Em 2010, Fernando Alonso garantiu a viória para os Tifosi, mas demorou 9 anos para que o hino Fratelli d’Italia fosse tocado de novo no pódio. Em 2019, Charles Leclerc tinha sido contratado pela Ferrari e conseguiu sua segunda vitória no campeonato em Monza (a primeira tido sido na Bélgica).

    Leclerc infelizmente aprendeu como funciona o box da equipe de Maranello e já sabe que a Ferrari não tem tanta chance de vencer quanto deveria (espero que a terapia esteja em dia). Porém, de vez em quando acontece um milagre na garagem vermelha, e em 2024 aconteceu.

    O GP da Itália daquele ano começou com a pole position de Oscar Piastri (McLaren) e os pilotos da Ferrari não tinham conseguido nem a primeira fila do grid. Charles Leclerc e Carlos Sainz pelo menos chegaram com estilo, usando aqueles macacões pretos inspirados no carbono.

    Mas um milagre aconteceu.

    Na 39ª volta, Leclerc assumiu a liderança e não soltou mais. Levou a Ferrari para o lugar mais alto do pódio, e quebrou mais um jejum de cinco anos sem vitória da equipe italiana em Monza (Que dia meu povo, que dia).

    Esse dia foi marcado também na memória dos argentinos, com Franco Colapinto estreando na Fórmula 1, trazendo o país latino para a categoria depois de 23 anos. O piloto conquistou até os brasileiros, não só pelo sobrenome diferenciado, mas também pelo desempenho na pista.

    Franco não só quase pontuou, como também questionou a teoria sobre o desempenho da Williams. Afinal, o carro era uma carroça, ou o desempenho ruim era na verdade responsabilidade do piloto Logan Sargeant?

    Sará perché ti amo.

    Kimi Antonelli comemorando com Senna no pódio. Imagem: Gazzetta di Milano.

    Kimi Andrea Antonelli, um moleque hoje com 20 anos, foi muito subestimado e pressionado quando estreou na Fórmula 1 numa equipe de ponta, a Mercedes, quando na Fórmula 2 nem tinha aquela performance.

    Substituindo o heptacampeão Lewis Hamilton, que tinha anunciado sua ida para a Ferrari, Antonelli não era o rookie mais habilidoso do grupo de novatos na F1 em 2025. O destaque ficava mesmo era para Isack Hadjar (RBR) e Gabriel Bortoleto, brasileiro que estreou pela Sauber (futura Audi) e que foi considerado por Helmut Marko como um “piloto B”.

    Mas Kimi se adaptou, e virou quase uma reencarnação do Senna. seu ídolo. O garoto atualmente lidera o campeonato de pilotos, e praticamente empurrou George Bottas (ops, Russell) para a brita da Mercedes (entendedores entenderão).

    Como se não estivesse tendo um desempenho fora da curva, o italiano ainda quebrou mais um jejum de Monza, levando o prêmio para a Itália depois de 60 anos. Ele fez a torcida da Ferrari virar a casaca, e teve até ferrarista exibindo a bandeira italiana com o escrito “Kimi Antonelli”.

    Mas posso falar a verdade aqui? Foi bonito ver o Pierre Gasly (Alpine) largando na pole position e a torcida italiana cantando Sará perché ti amo, canção de Ricchi e Poveri.

    Monza, nós te amamos.

    Não importa o time para qual torça, não dá para perder o Grande Prêmio da Itália que acontece em Monza. A cada ano é uma cena inesquecível, e que prova que o autódromo de Monza sempre estará no coração da Fórmula 1.

  • Monza: uma história de glórias e tragédias.

    Monza: uma história de glórias e tragédias.

    Da construção do circuito à chegada da Fórmula 1: as histórias que transformaram Monza em um dos templos do automobilismo.

    Kimi Antonelli vence o Grande Prêmio da Itália. Imagem: F1 site oficial.

    Por Renata Resende

    E Monza faz história mais uma vez no Grande Prêmio da Itália. Depois de 60 anos sem nenhum italiano ganhando um GP de Fórmula 1 em casa, Kimi Antonelli (Mercedes) fez os tifosi (torcedores da Ferrari) virarem a casaca, pelo menos temporariamente. Charles Leclerc (Ferrari), por sua vez, fez alguns fãs chorarem, quando bateu e ainda foi parar na instalação médica (mas ele passa bem, obrigada pela preocupação).

    Mas não é a primeira vez que os amantes da Fórmula 1 ficam eletrizados assistindo o desenrolar das cenas neste circuito italiano. Foram vários os momentos impactantes que aconteceram em Monza, alguns trazendo felicidade, outros trazendo tragédia. E tudo começou lá atrás, depois que acabou a Primeira Guerra Mundial.

    Benvenuti à década de 1920.

    Em 1922, uma grande obra começou a ser construída nos arredores de Milão, e ela se tornou um dos circuitos mais antigos e icônicos do calendário da Fórmula. A ideia, que partiu do Automobile Club de Milano, tinha pelo menos dois objetivos diferentes: ser um circuito permanente de testes para as montadoras italianas, e também para receber um Grand Prix internacional para rivalizar com o disputado na França.

    Na sua biografia sobre Enzo Ferrari (Ferrari: O homem por trás das máquinas) Brock Yates cita a construção da autódromo, e como ele faria parte da história do Commendatore italiano. Segundo Yates, Ferrari viu de perto a construção, enquanto ainda era piloto, porém curiosamente nunca chegou a protagonizar um momento bombástico pilotando naquele circuito. Mas Ferrari e Monza sempre estariam ligados um ao outro.

    O traçado original do circuito, que foi inaugurado no dia 3 de setembro de 1922, tinha quase 10 km de extensão. Seis anos após sua inauguração, foi preciso alterar o desenho devido à primeira das tragédias que abalaram Monza.

    O primeiro grande abalo.

    Há exatos 98 anos, no dia 9 de setembro de 1928, Emilio Materassi participaria de sua última corrida da vida. O piloto italiano tinha uma carreira já consolidada no automobilismo, e inclusive era dono da Scuderia Materassi, equipe que comprou da Talbot-Darracq. No Grand Prix da Itália de 1928, Materassi pilotava sua Talbot 700, e já começou a prova enfrentando problemas e precisando ir para o box duas vezes.

    Na décima sétima volta, Materassi perdeu o controle de seu carro quando tentou ultrapassar a Bulgatti de Giulio Foresti. O resultado foi uma tragédia, que envolveu mais pessoas além do piloto. Na tentativa de desviar o carro, Materassi saiu da pista, saltou sobre uma vala de proteção e atingiu o público. Dezenas de pessoas morreram praticamente na hora, e mais algumas se feriram, com uma chegando a morrer no dia seguinte e outra indo a óbito nove dias depois.

    Emilio Materassi tinha apenas 34 anos, quando deixou a esposa e duas filhas. Na sua sepultura, foi erguida uma estátua de bronze, obra do escultor Mario Ferretti. Com relação às outras vítimas do acidente, no site Motorsport Memorial tem uma lista dando nome a cada uma delas (link em inglês).

    Embora o acidente não tenha sido na parte oval do autódromo, esse trecho foi fechado na tentativa de reduzir as altas velocidades na reta principal. Em 1930, Vincenzo Florio, idealizador da corrida Targa Florio, teve uma ideia de alteração para o circuito. Usando a infraestrutura já existente, foi adicionada uma chicane e só a inclinação sul da pista era utilizada (em inglês).

    No dia 6 de setembro de 1931, aconteceu o quarto Grand Prix de Monza, e mais uma vez outro acidente aconteceu. Philippe Étancelin, pilotando um Alfa Romeo, tentou ultrapassar Giovanni Minozzi, mas perdeu o controle do carro, saiu da pista e também acertou alguns fãs (assistiam a corrida num local proibido). Ao contrário das vítimas, entre elas duas mortas, Étancelin saiu apenas levemente lesionado, mas devastado e inocentando Minozzi de qualquer culpa.

    Em 1933, o circuito original mostrou mais uma vez o quão perigoso era, praticamente pedindo para ser alterado de novo.

    O Dia Negro de Monza.

    Era 10 de outubro de 1933, o Grande Prêmio de Monza trouxe mais uma memória perturbadora para o automobilismo. A sequência de acontecimentos que se prosseguiu foi tão intensa para Enzo Ferrari, que Yates fez questão de falar sobre esse GP em seu livro.

    A prova, que seria realizada em três baterias, aconteceu na parte oval da pista. Um dia antes, alguns pilotos, entre eles os dois mais icônicos da época, Tazio Nuvolari e Luigi Fagioli, desistiram de participar da competição. O dia frio, ameaçando chover, parecia avisar sobre a tragédia que aconteceria.

    Ainda na primeira bateria, o piloto Felice de Trossi abandonou a corrida, pois seu carro (Duesenberg Special) deu um problema no motor, e ao que parece, deixou uma poça de óleo na pista, bem no meio da curva sul. Guy Moll, que terminou em segundo lugar, exigiu que alguma providência fosse tomada sobre esse óleo. Antes que a segunda bateria começasse, a mancha de óleo foi limpa com vassouras e teve um revestimento de areia. Mas não foi o suficiente para evitar os próximos momentos.

    Então começou a segunda parte da prova. Giuseppe Campari pilotava um Scuderia P3, e competia lado a lado contra Baconin Borzacchini (Maserati), e desapareceram da vista dos espectadores, e junto com eles, também não haviam notícias de Nando Barbieri e o conde Castelbarco. Como esses pilotos não voltavam, surgiu um boato que talvez eles tivessem se acidentado. Infelizmente, o boato se concretizou.

    Campari e Borzacchini tinham tocado as rodas dos carros e sido lançados para a cerca de arame do campo interno. Borzacchini se feriu gravemente e morreu horas depois, enquanto Campari faleceu na hora. Os outros dois pilotos também considerados desaparecidos voltaram praticamente ilesos.

    Segundo Yates, as mortes de Giuseppe Campari e Baconin Borzacchini abalaram o senhor Ferrari, que considerava os dois pilotos como companheiros. A partir daquele momento, Enzo Ferrari fecharia seu coração para os pilotos, com apenas um ou outro piloto atravessando a barreira do Commendatore.

    Prenúncio de Guerra.

    Após essas tragédias acontecerem, era hora de dar um jeito naquele autódromo. A pista era rápida demais para o seu próprio bem. O engenheiro Aldo di Rionzo foi o responsável pelas alterações, e demoliu a parte oval do autódromo. A Curva de Lesmo foi alterada e o pedido da Pirelli por um trecho de testes foi aceito. Instalações para os fãs também foram feitas, como a arquibancada para 2000 pessoas e um restaurante no térreo.

    Quando estava chegando a hora de ver se as melhorias feitas dariam realmente certo, as corridas precisaram ser paralisadas … e a Segunda Guerra Mundial bateu na porta.

    A cidade de Monza foi ocupada em 1943, pelos alemães, e o circuito também foi afetado. O que antes era um autódromo, agora se tornou um depósito de arquivos e até mesmo dos animais retirados do zoológico de Milão. Quando a guerra acabou, o circuito de Monza precisaria passar por mais uma reforma se quisesse voltar a receber corridas.

    O asfalto da pista foi danificado pelo desfile de blindados dos Aliados. Mas dessa vez a reforma foi rápida, durando apenas dois meses e o autódromo voltou a ter a carinha de pista de corrida. Construído sobre concreto armado e com uma nova curva parabólica. Mais melhorias foram feitas, agora sendo construídas duas grandes torres com placares luminosos, mostrando cada posição da corrida ao longo da pista.

    Senhoras e senhores, bem-vindos à Fórmula 1.

    Grande Prêmio da Fórmula 1 em 1950. Imagem BBC.

    Era 1950 quando aconteceu a primeira temporada do campeonato oficial da Fórmula 1, e claro que o circuito de Monza sediaria uma das sete etapas da categoria.

    No dia 3 de setembro, era a última prova da temporada e a briga do título estava entre Nino Farina e Juan Manuel Fangio. A lenda argentina, Fangio, até conseguiu a pole position, mas logo na largada foi ultrapassado por Farina. Vencendo em casa, Nino conquistou o campeonato com apenas três pontos de diferença para Fangio, fazendo a festa da torcida italiana.

    Desde 1950, Monza vem recebendo a Fórmula 1, sendo um dos circuitos mais antigos do calendário a estar presentes desde o início do campeonato. Infelizmente, onze anos após seu início, a F1 veria uma das piores tragédias de sua história acontecendo em Monza. Mas essa história fica para o próximo post, te aguardo lá.

  • Coreia, História em cinco Atos: o K-Pop nas pistas da Fórmula 1.

    Coreia, História em cinco Atos: o K-Pop nas pistas da Fórmula 1.

    Atualmente a Fórmula 1 não tem mais no calendário o Grande Prêmio da Coreia do Sul, mas os ídolos coreanos marcam presença no asfalto, não pilotando, mas fazendo parte da trilha sonora da velocidade.

    Lewis Hamilton e Rosé no box da Ferrari, no Grande Prêmio de Miami/ Imagem: F1 Instagram.

    Por Renata Resende

    O ano era 2012 e um dos videoclipes mais acessados, no YouTube, vinha da Coreia do Sul. O sucesso do Psy, com a música Gangnam Style, seria só uma amostra do que viria a ser o K-pop no mundo, chegando até ao paddock da Fórmula 1.

    Voltando na história…

    O que hoje se tornou uma das indústrias mais importantes na Coreia do Sul, o K-Pop é fruto  de uma tentativa de resgate de nacionalidade num país destroçado.

    Quando o Império Japonês invadiu a Coreia (em inglês), os japoneses deram o máximo de si para acabarem com qualquer vestígio de identidade coreana.

    Leia também: Coreia, História em cinco Atos: Resistência Cultural.

    A música coreana também seria influenciada nesse tempo, e mesmo que reprimida por seus invasores, a Huimangga entraria para a história daquele povo, como uma canção de esperança.

    Embora os japoneses tenham feito algum avanço naquelas terras, como na construção de uma malha ferroviária, os coreanos foram reprimidos e só se veriam livres quando a Segunda Guerra Mundial acabasse. Mas a felicidade coreana nao viria tão fácil.

    Momento da Guerra da Coreia./ Imagem: BBC.

    A queda dos japoneses foi sentida também na Coreia, e para piorar, o país ainda se veria divido entre as maiores potências vindas com a Guerra Fria. O território coreano, em acordo com os EUA e a URSS, foi governado e divido no paralelo 38. Não demorou muito tempo para que houvesse tentativa de reunificação, mas como o post sobre a Guerra da Coreia mostrou, o estrago feito foi sentido pela península inteira.

    Leia também: Coreia, História em cinco Atos: A Divisão.

    Leia também: Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    Agora além dos japoneses, os coreanos seriam influenciados também pelos ritmos musicais vindos junto com os soldados estadunidenses.

    Na tentativa de se distrairem naquele cenário de guerra, soldados estadunidenses teriam como atração, cantores coreanos interpretando músicas que viam das terras americanas. Trazendo elementos do jazz, hip hop e outros estilos musicais dos EUA, os sons dos dois países foram se misturando o que viria a ser o K-Pop.

    Batidas misturadas e coreografias inesquecíveis.

    Kim Sisters se apresentando./ Imagem: Vanity Fair.

    Ainda nos bailes frequentados pelos soldados ocidentais, surgiria um dos primeiros grupos musicais sul-coreanos. Formado pelas duas irmãs e a prima, Kim Sook-ja, Kim Ai-ja e Lee Min-ja, o conjunto The Kim Sisters (em inglês) fizeram um sucesso estrondoso, chegando entrar nas paradas da Billboard.

    Os jovens, da parte sul da península, viriam a gostar de um tipo de música mais animada, dançante e moderna, o que foi um desagrado para o governo ditador da década de 70.

    Certas músicas com letras que desagradavam o Estado chegaram a serem censuradas. Mas a repressão não deu certo e esse novo estilo musical que surgia veio para ficar.

    Outro grupo musical que foi uma forte influência na cultura coreana foi o grupo Seo Taiji and Boys. Com uma proposta diferenciada, eles trouxeram uma apresentação guiada com uma coreografia complexa e sincronizada. O estilo de roupa, mais despojado também influenciou o guarda-roupa dos jovens, e alguém viu o potencial comercial disso e resolveu investir pesado nessa música.

    Grupo coreano Seo Taiji and Boys./ Imagem: Spotify.

    Lee Soo-man percebeu o potencial que viria do K-Pop e criou a SM Entertinment, uma das empresas mais forte nessa indústria coreana. Investindo em um grupo de 5 coreanos, o H.O.T, Lee começou toda essa história de indústria de produzir ídolos coreanos, que ficariam treinando por anos e sendo preparados para o sucesso mundial.

    Dos palcos sul-coreanos para trilha sonora da F1.

    Uma das artistas mais famosas da Coreia do Sul, Rosé entrou para a trilha sonora do filme F1, estrelado por Brad Pitt e Damson Idris, com a música Messy. Além de entrar no álbum oficial, a cantora já vinha marcando presença no paddock e até na narração brasileira ela era citada.

    Rosé, nasceu na Nova Zelândia mas foi na Coreia do Sul que começou sua trajetória musical. A cantora estreou pelo Blackpink, conjunto musical formado também por Lisa, Jisoo e Jennie.

    Além de Rosé, outros artistas coreanos também marcam presença no paddock da Fórmula 1, como Lisa, outra das integrantes do Blackpink, e o grupo Enhypen foi convidado pela Red Bull Racing a estar no Grande Prêmio de Singapura em 2025. Mas mencionar K-Pop na Fórmula 1, não se pode esquecer a abertura icônica do Grande Prêmio da Coreia do Sul em 2012.

    Perfeição fabricada.

    Assim como na Fórmula 1, a indústria do K-Pop constrói uma imagem perfeita para seus artistas, pressionando-os a terem a conduta ideal em qualquer área de suas vidas. O programa de treinamento para os futuros ídolos sul-coreanos chega a ser tão intenso, que acontecem notícias de abuso.

    Os jovens que entram para esse meio, trabalham por horas em coreografias e passam por procedimentos estéticos para ficar no mais perfeito padrão possível.

    Além da pressão para continuarem sendo perfeitos, mesmo com a fama já conquistada, esses artistas têm a vida pessoal afetada, sendo controlados até na vida amorosa, já que o ideal é não se envolverem com outras pessoas.

    Quem sabe um dia.

    O circuito sul-coreano não é o mais famoso ou mais agraciado pelos fãs da F1, mas quem sabe um dia ele volte a ser palco da categoria de elite do automobilismo. Mas uma coisa é certa, a Coreia do Sul pode não sediar mais um GP de Fórmula 1, mas isso não quer dizer que ela fique de fora de seu paddock.

  • Rússia: fora do asfalto e do gramado mundial.

    Rússia: fora do asfalto e do gramado mundial.

    País que sediou a Fórmula 1 e a Copa do Mundo, a Rússia hoje se encontra suspensa dos principais eventos esportivos mundiais.

    Grande Prêmio da Rússia. Imagem: F1.

    Por Renata Resende

    Durante oito temporadas, a Rússia fez parte do calendário da Fórmula 1, sediando em Sochi, mas o circuito ali presente não agradava tanto o público. A ideia era mudar a sede do GP, levando para o circuito de Igora Drive, em São Petersburgo em 2023, mas os planos foram cancelados um ano antes da transferência, quando começou a guerra.

    O ato de invadir Ucrânia desagradou o mundo, e uma das decisões contra a Rússia foi excluir o país, temporariamente, de eventos esportivos mundiais, como a Fórmula 1 e a Copa do Mundo.

    Início de um sonho, na prática nem tanto.

    Levar a F1 para a Rússia era uma ambição de Bernie Ecclestone, o então dono da categoria. Na verdade, seu desejo era levar o campeonato para a Rússia e para Nova York, e ele conseguiu apoio de Vladimir Putin para esse feito.

    Leia também: A Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    Usando o parque olímpico, onde recebeu as Olimpíadas de Inverno de 2014, como cenário de construção, Hermann Tilke arquitetou o traçado do circuito.  Mas desde quando estreou no calendário, Sochi nunca tinha se tornado um dos GPs mais esperados pelos fãs.

    O circuito com curvas de 90 graus, não dava chance para muitas ultrapassagens, e o fato de só a Mercedes ter ganhado em todas as provas desde o primeiro GP russo, era só mais um ponto que desagradou do público. Era a chance de Putin levar o evento para sua cidade natal.

    Autódromo de Igora Drive, em São Petersburgo. Imagem: Ge Globo.

    Nascido em São Petersburgo, uma das cidades mais famosas da Rússia, o presidente tinha interesse em mudar a etapa de circuito e o governo russo fez uma pressão para que a etapa da F1 saísse de Sochi e fosse para São Petersburgo. Já em 2021, o anúncio foi feito e a partir de 2023, o GP da Rússia aconteceria em Igora Drive… até a guerra começar em 2022.

    Dias após a invasão russa sobre seu país vizinho, a FIA lançou um comunicado (em inglês), dizendo que a Rússia não iria sediar esportes automotivos por tempo indeterminado, incluindo a Fórmula 1. Decisão essa, apoiada por alguns pilotos da categoria de elite.

    Sebastian Vettel, que na época pilotava pela Aston Martin, já tinha afirmado que, havendo ou não o Grande Prêmio de Sochi, ele não iri participar da prova, se firmando contra a ação russa. A decisão também foi seguida pela McLaren.

    A equipe papaya tinha tido uma prova ruim na etapa russa de 2022 no país. Lando Norris estava liderando a corrida, mas por uma decisão ruim, de continuar com os pneus slick mesmo sob a chuva torrencial, Norris acabou derrapando na prova e entregando a liderança para Lewis Hamilton.

    Nessa mesma etapa, Hamilton conquistou sua centésima vitória na categoria, pela Mercedes. Vale lembrar que a equipe alemã tinha vencido todos os Grandes Prêmios da Rússia desde a estreia do país no calendário em 2014.

    Na época, a promotora do GP russo, Rosgonki, se pronunciou (em inglês), pedindo aos fãs que tinham comprado o ingresso não fazerem o reembolso ainda pois ainda havia esperança da corrida acontecer normalmente.

    Além da corrida ser cancelada, a Haas, equipe estadunidense também se posicionou na questão. Tirando as cores da bandeira russa do seu carro ainda na pré-temporada, quando rescindiu o contrato com a Uralkali (patrocinadora da equipe), e também encerrou o contrato com o piloto russo, Nikita Mazepin.

    Mas não seria só o asfalto que fecharia as portas para os russos. Nos gramados, a Rússia deixaria de ser bem vinda.

    Cartão vermelho para os russos.

    Seleção Russa em campo. Imagem: Band.

    Em 2022 também foi o ano de mais uma Copa do Mundo, e a Rússia enfrentaria um rival histórico nas eliminatórias da Copa, a Polônia.

    Os poloneses estavam indignados com seus rivais e decidiram não se dar o trabalho de lidar com eles no gramado mundial. A Seleção Polonesa se recusou a jogar com a russa nas repescagens (em inglês), mas conseguiu uma vaga direta para a final das eliminatórias, onde enfrentaria a Suécia.

    A Rússia, por outro lado, foi suspensa pela FIFA, indo do céu ao inferno, já que enquanto quatro anos antes sediava o maior evento mundial do futebol, agora estava sendo eliminada antes mesmo de participar da Copa.

    Em conjunto com a FIFA, a UEFA (Union of European Football Associations) também decidiu barrar a participação de times russos de  competições europeias, como na Champions League.

    Virando pesadelo.

    A ideia que a Rússia tinha em mente era ampliar sua participação no esporte mundial, mas seus planos foram por água abaixo em poucos anos, quando perdeu a chance de participar deles. Mas quem sabe num futuro próximo o país volte com tudo no cenário esportivo mundial, não é mesmo?

  • A Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    A Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    Passando pela queda da Dinastia Romanov e pelo Bloco Soviético, a história russa passou por revoluções, ideologias e transformações que ajudaram a moldar o mundo atual.

    O Domingo Sangrento. Imagem: DW.com

    Por Renata Resende

    Chega o século XX, e o mundo passa por transformações que deixariam pessoas, dos séculos anteriores, de queixo caído. E na Rússia não foi diferente. O país de maioria eslava passaria por mudanças que deixariam os varegues chocados. Um fim de czarado, revoluções estourando, territórios explorados que passavam até do limite do céu, e uma ideologia que interferiria do mundo inteiro. Mal sabia o czar Nicolau II o que ainda viria pela frente.

    Leia também: Rússia: da influência viking até o fim dos czares.

    O império cai.

    Czar Nicolau II. Imagem: O Globo.

    Quando Nicolau II assumiu o poder, decidiu fazer um luxuoso banquete para festejar sua coroação, mas essa ostentação não poderia ter vindo em um momento pior. Fora do palácio, os camponeses passavam fome, greves eram instauradas, a situação do país decaia cada vez mais. Poucos anos depois aconteceu uma manifestação, que começou pacífica, se tornou cena de um dos piores episódios da história russa, conhecido com o Domingo Sangrento (em inglês).

    Liderada pelo padre Georgy Gapon, o povo russo iniciou uma manifestação pacífica, desejando entregar ao czar mudanças que iriam melhorar a qualidade de vida deles. Sem violência, os russos carregavam itens religiosos e retratos de Nicolau, junto com as petições. Porém, ao chegarem no Palácio de Inverno, o sonho virou um pesadelo. O czar não se encontrava no palácio, e a força armada massacrou os manifestantes.

    A crise piorou, não importava a classe social, muitos já não queriam mais aquele governo desastroso. Revoltas estudantis, greves e alguns cidadãos até partiam para o terrorismo. A situação ficou tão feia, que aconteceram motins até dentro da força militar, apoiando a luta, conhecida como a Revolução de 1905 (em inglês).

    Sob coação, o czar fez promessas ao povo. Criou uma assembleia, a Duma, e disse que nenhuma lei entraria em vigor sem a aprovação da Duma. Mas o que ele realmente queria era seguir outros planos.

    Assim que a poeira baixou, Nicolau foi a fundo para recuperar seus poderes de autocrata. Aproveitando o momento, ele financiou a União do Povo Russo, uma organização de extrema direita, que disseminava até o antissemitismo no meio do povo.

    Guerra no mundo, revolução na Rússia.

    Quando a Primeira Guerra Mundial começou, a Rússia entrou no conflito não porque tinha sido atacada diretamente por alguma das potências centrais, mas sim dizendo apoiar sua aliada, a Sérvia. O czar decidiu fazer do limão uma limonada e usar o conflito para fortalecer o Estado, inflando o povo com um ideal nacionalista. Só não equipou o exército russo direito para as trincheiras.

    Com armamento e vestimentas defasadas, os russos foram para o campo de batalha, sofrendo mais do que outros soldados, que tinham um equipamento melhor. Para piorar (se é que dava), Nicolau achou que seria uma boa ideia ir pessoalmente assumir o comando militar, e deixar um buraco na administração do país. Além disso, a czarina Alexandra ficou sob mais influência de Rasputin, um curandeiro famoso que conquistou a confiança da família Romanov por ter ajudado o herdeiro do czar.

    Enquanto na guerra, soldados russos faziam o que podiam para lutar, no restante do território russo a crise piorava cada vez mais. A inflação subia e a população mal conseguia comprar o pão para sobreviver. Aconteceu então a Revolução de 1917, com greves e protestos em Petrogrado e grupos, como um de mulheres russas e até força militar aderiu, derrubando o poder aristocrático do czar.

    Nicolau não teve outra opção a não ser renunciar seu posto, e foi detido junto com sua família. Um governo provisório começa, mas a Rússia ainda não sai da guerra. A Alemanha, vendo toda a situação russa, decide colocar mais lenha na fogueira e facilita a volta de Vladimir Lenin para a Rússia, querendo que a instabilidade no país aumentasse e ele saísse do seu caminho.

    Agora sim os russos sairiam da guerra e, algum tempo depois, começaria uma mudança de sistema no país, começando uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

    O martelo e a foice.

    A bandeira do partido comunista sendo exibida. Imagem: CNN

    Inspirados pela ideologia de Karl Marx, Lenin e seus apoiadores começariam um novo regime no território multiétnico. Uma nova política econômica (NEP) (em inglês) tinha entrado em vigor antes da formação do bloco soviético e a Rússia estava conseguindo se recuperar economicamente. Mas ainda tinha problemas para resolver naquelas terras.

    A elite que apoiava o czarado não estava feliz com a situação e decidiu revidar, ou pelo menos tentar. Se o exército comunista seria conhecido como Exército Vermelho, os aristocratas, junto qualquer um que fosse antibolchevique (ou anticomunista), viriam com o Exército Branco.

    Junto com os nomes das armadas, começam também dois terrores, o Terror Branco e o Terror Vermelho, os nomes seguindo a lógica dos guerrilheiros. E quem levaria a pior continuaria a ser a população.

    Quando Lenin morre, o Partido Comunista chega a ser dividido, pois Josef Stalin e Leon Trotsky tinham ideias diferentes entre si, e só participavam do mesmo partido por causa de Lenin, chegando a se tornarem adversários políticos. Mas Stalin foi consolidando seu poder, e começaria com o governo que estudiosos chamam de “Stalinista”.

    De volta aos conflitos mundiais.

    Em 1939 começa o conflito mundial mais sangrento da história (até hoje), conhecido como a Segunda Guerra Mundial. Agora como URSS, o país entra como um importante fator para a derrota da Alemanha Nazista. Mas Stalin não começou na guerra como um inimigo declarado de Hitler.

    Antes de invadir a Polônia, a Alemanha e a URSS entram com um Tratado de Não Agressão, mas com uma entrelinha que só foi ser divulgada ao mundo anos depois. Com o Pacto Molotov-Ribbentrop, eles tinham a ideia era dividir o território polonês, mas não invadindo juntos o território pra não dar bandeira para o mundo.

    Hitler então invade a Polônia, e um tempo depois Stalin toma a outra parte do que era território de um país independente.

    Mais tarde, após ver sua tentativa de invasão a  Grã-Bretanha fracassar, já que os britânicos eram superiores do meio aéreo, o comandante alemão voltou seus olhos para a URSS e decidiu tentar tomar o território soviético. Assim como aconteceu com Napoleão, o Reich alemão também perdeu (os detalhes do acontecimento ficam para outra hora).

    A Segunda Grande Guerra acaba e a Europa fica em frangalhos. Os EUA e a URSS começam a ajudar a reconstruir o continente europeu, ao mesmo tempo que começam uma queda de braço para ver quem é mais forte. E começa a Guerra Fria.

    A URSS tenta espalhar o modelo comunista o tanto quanto pode, enquanto bate de frente com o sistema capitalista estadunidense. Enquanto essa guerra ideológica acontece, grandes avanços vão acontecendo principalmente na tecnologia e nos armamentos de batalha, mas os dois países nunca entraram definitivamente em guerra entre si.

    A URSS avançou, mas chegou uma hora que não deu conta de manter mais seu poder, e o governo soviético foi se desfazendo. Com o passar do tempo, nem abrindo sua economia para o mundo ou cedendo para o fim da censura, através de políticas como a Perestroika e da Glasnost, o território soviético conseguiu se manter por muito tempo.

    Quando o Pacto de Varsóvia é desfeito, em 1991, vários países são formados, e outros Estados, como a Hungria, voltam ter autonomia sobre si.

    Leia também: Hungaring: quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

    Fim de uma era.

    Em 1989 aconteceu uma das cenas mais memoráveis da história mundial. Sob um discurso confuso do dirigente da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, o povo alemão, dividido entre oriental e ocidental, vai para as ruas de Berlim. O Muro que dividia a capital alemã deixaria de existir, e os alemães finalmente se reuniriam em uma só nação.

    Famílias e amigos, separados contra a vontade por uma guerra de ideologias entre dois países poderosos, finalmente iriam se encontrar, se abraçar, matar a saudade uns dos outros. Mais uma pá de cimento sobre o bloco socialista.

    Dois anos depois a URSS acabaria oficialmente, e vários novos países seriam formados. Voltando a ser Rússia, o país poderia estar fraco, mas não deixaria de ser a influência que tanto teve.

    Após o fim do bloco, aconteceu a primeira eleição, para eleger o presidente, de toda a história russa. Comandando a federação na transição entre socialismo e capitalismo, Boris Yelstin renuncia oito anos após sua eleição. Vladimir Putin foi o segundo presidente a ser eleito, chegando a ser reeleito em 2004, 2012, 2018 e 2024, quando provavelmente ficará no poder até 2030.

    Decisões geram consequências.

    Haas rescinde o contrato com Nikita Mazepin após a invasão da Ucrânia. Imagem: Team- BHP

    Dando um pulo no tempo, em 2022 a Rússia, sob o comando de Vladimir Putin, decide partir para cima da Ucrânia, sob algumas justificativas, como tentar desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, entre outros motivos. Os ucranianos, por sua vez, não abaixam a cabeça e enfrentam com tudo de podem.

    Grande parte do mundo ficou indignado com uma situação dessas. E os russos não ficaram ilesos. A guerra dura até hoje (2026), e a Rússia sofreu várias sanções, principalmente econômicas.

    E uma das consequências dessa atitude foi a eliminação do país de dois dos principais eventos mundiais esportivos, a Copa do Mundo e a Fórmula 1.

    Na Copa do Mundo de 2022, alguns países chegaram a se recusar a jogar contra a Seleção russa nas eliminatórias. A Polônia foi um desses. Com rivalidade histórica, os poloneses se recusaram a disputar nas vagas de repescagem, e a FIFA deu uma vaga direta a Seleção Polonesa na final da repescagem.

    Na Fórmula 1, não só o Circuito de Sochi foi tirado do calendário, como a carreira de Nikita Mazepin também afetada. O russo pilotava pela Haas na época do começo da guerra, e teve o contrato rescidido.

    Mesmo depois de anos da queda dos Romanov, a Rússia nunca deixou ser um país importante no cenário mundial. Entrando e saindo de conflitos, a história mundial e a geopolítica estão sendo sempre influenciada pelos russos.

  • Hungria: dos gramados da Copa do Mundo até o asfalto na Fórmula 1.

    Hungria: dos gramados da Copa do Mundo até o asfalto na Fórmula 1.

    Antes de sediar a Fórmula 1, a Hungria já fazia história no esporte mundial, proporcionando momentos incríveis para o mundo do futebol.

    Por Renata Resende

    Alemanha Ocidental e Hungria. Imagem: GE.Globo

    Destaque na história da Copa do Mundo por seus feitos impressionantes, a Seleção Húngara tem passado por altos e baixos, não conseguindo se classificar no torneio internacional desde 1986. Coincidência ou não, no mesmo ano em que deixava temporariamente a Copa do Mundo, sendo eliminada ainda na fase de grupos, estrearia em outro evento esportivo mundial, a Fórmula 1.

    O começo húngaro no gramado mundial.

    Em 1930 aconteceu a primeira das muitas edições da Copa do Mundo, com sede no Uruguai. E foi ali, nas terras uruguaias que o primeiro campeão foi consagrado. Com apenas 13 seleções disputando, a final foi entre dois vizinhos sul-americanos. Argentina e Uruguai se enfrentaram, com a seleção uruguaia fazendo a festa nas próprias terras. Mas a Hungria só entraria para a competição na sua segunda edição.

    Quatro anos após a primeira edição, a Hungria estreou num duelo contra o Egito, ganhando de 4 a 2 e conseguiu se classificar para as quartas, quando enfrentaria a outra metade do seu antigo império, a Áustria. Ali nas terras italianas, a Áustria levou a melhor, mas perdeu na semifinal para a dona da casa. Na própria capital, a Itália conquistaria a primeira de suas quatro estrelas da camisa.

    É Magyares na final!

    Seleção de Ouro da Hungria. Imagem: Imortais do Futebol.

    Na terceira edição da Copa do Mundo, a Hungria teria um de seus melhores resultados. Seu primeiro duelo seria contra a Indonésia, em que venceu e os húngaros fizeram a festa, já se preparando para a próxima fase, quando enfrentariam a Suíça.

    Passando pelos suíços, que não fizeram nenhum gol, a Hungria iria enfrentar a Suécia na semifinal. Pela primeira vez na sua história, eles chegaram à final do torneio, mas perderam o título para a Itália. Em 1954, a Hungria voltaria a enfrentar uma final, dessa vez com sua Seleção de Ouro.

    Ídolo do futebol húngaro, Ferenc Puskás liderava o time pelos gramados suíços. Batendo recordes nas goleadas contra a Coreia do Sul (9 a 0) e contra a Alemanha Ocidental (8 a 3), a Hungria foi apontada como uma das favoritas para ganhar a Copa de 54. Passando fase por fase, os “Magiares Mágicos” eliminaram, respectivamente, o Brasil e o Uruguai, antes de partirem para mais uma final.

    Com um gol de Puskás e outro de Czibor, a Hungria começou vencendo os alemães ocidentais, dando a impressão que a taça seria deles. Mas os alemães não abaixaram a cabeça. Morlok começou a dar esperança para a Seleção da Alemanha Ocidental, e Rahn empatou e virou o jogo. O jogo terminou com o placar Hungria 2 x 3 Alemanha Ocidental, entrando para a história como o “Milagre de Berna”. Infelizmente para os húngaros, esse foi o último melhor resultado para eles nas Copas do Mundo.

    A derrocada dos Magyares.

    Em 1958, a Hungria tentou retornar com tudo para a Copa do Mundo, mas foi eliminada ainda na fase de grupos, empatando apenas em um jogo contra o País de Gales, e sendo derrotada nos outros jogos do grupo.

    Em 1962, chegou nas quartas de final, mas perdeu para a antiga Tchecoslováquia. Quatro anos depois, os húngaros seriam eliminados de novo na mesma fase, mas dessa vez perdendo para a União Soviética. Depois disso, a Hungria só participaria de mais três edições das Copas, em 1978, 1982 e 1986, sendo eliminada na fase de grupos. Após 1986, a Seleção Húngara não conseguiu mais se classificar para o torneio mundial (até 2026).

    O futebol húngaro e a Revolução de 1956.

    Na década de 50, os húngaros se encontravam insatisfeitos com o atual regime comunista no país, e decidiram começar uma revolução. Infelizmente o resultado foi ruim para o país, já que a União Soviética massacrou a revolta. Foi nesse conflito que alguns jogadores, da Seleção de Ouro húngara, decidiram sair do país e continuar a jogar futebol em outros países, como o próprio Puskás, que migrou para a Espanha, chegando a jogar pelo Real Madrid e pela Seleção Espanhola.

    Puskás chegou a ser motivo de vergonha para os húngaros por causa dessa saída, sendo considerado um traidor, mas hoje ele é considerado o ídolo do país, assim como Pelé para o Brasil e Maradona para a Argentina. A contribuição dele para o futebol nacional e internacional foi tão grande, que tem estádio com seu nome na Hungria e a FIFA criou o Prêmio Puskás, para eleger o gol mais bonito do ano.

    Torcedores polêmicos.

    A torcida húngara, principalmente a “Carpathian Brigade”, esteve envolvido em polêmicas como racismo e homofobia, contra jogadores de outras seleções, como os ingleses. Na disputa entre Hungria e Inglaterra, alguns torcedores húngaros foram acusados de proferir insultos de cunho racial contra os jogadores Jude Bellingham e Marcus Rashford.

    Além dos casos de racismo, alguns desses torcedores foram também ligados a atos de homofobia, quando levaram uma bandeira no estádio escrito anti-LGBTQ, durante jogos da Seleção, como na imagem abaixo:

    Torcedores húngaros praticando homofobia. Imagem: GE.Globo.

    A Hungria chegou a ser punida pela UEFA (União das Federações Europeias de Futebol), tendo que disputar três jogos em casa com os portões fechados, mais uma multa de 100 mil euros e teria que exibir uma faixa escrita #EqualGame, junto com o logotipo da UEFA.

    Dos gramados ao asfalto.

    Mesmo não conseguindo se qualificar a anos na Copa do Mundo, a Hungria deixou sua marca no esporte, seja pela lendária Seleção de Ouro, seja na forma como o futebol é jogado até hoje. Enquanto não continua sua história nos gramados do principal torneio mundial, os húngaros permanecem no esporte internacional, deixando sua marca também no asfalto da Fórmula 1, mantendo sua tradição nos grandes eventos esportivos.

    Leia também: Hungaroring: Quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

  • Hungaroring: Quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

    Hungaroring: Quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

    A chegada da Fórmula 1 na Hungria socialista se tornou não só um marco para a história da categoria, como também do país.

    Por Renata Resende

    Hungaroring. Imagem:Band

    Num período de guerra, principalmente ideológica, como foi na Guerra Fria, ter a ideia de trazer um esporte característico do Ocidente capitalista para um país socialista, parece improvável não? Até um pouco absurda. Mas a Hungria não deixou que isso a impedisse de criar um circuito e levar a Fórmula 1 para as terras húngaras (em inglês).

    A história do país é marcante, como foi falada no post anterior, com vários altos e baixos ao longo dos tempos. Em 1986, a Hungria não queria viver mais sob o regime Comunista, e lutava pelo direito de eleger seus representantes. Num ano que já não estava sendo dos melhores, pela sua eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo, o país resolveu inovar, trazendo um esporte diferente (até da ideologia que governava na época), fazendo mais um ato de colocar o pé pra fora do bloco soviético.

    Entrando para a história.

    Senna e Piquet duelando na pista. Imagem: Globo Esporte.

    Então no dia 10 de agosto de 86, acontece o primeiro Grande Prêmio da Hungria, o grid de largada foi a felicidade brasileira. Ayrton Senna (Lotus Renault) consegue a melhor volta e pega a Pole Position. Em seguida vem Nelson Piquet, pilotando sua Williams Honda.

    Já durante a corrida, Senna até tentou segurar o compatriota, mas Piquet o ultrapassou com maestria. Depois de tentar ultrapassar Senna e levar um x na pista do mesmo, Piquet tenta de novo, com o carro quase escorregando no asfalto, mas se mantem na liderança. Inclusive, a primeira curva do circuito foi nomeada Piquet (em inglês), pois o pai de Kelly Piquet ganhou os dois primeiros Grandes Prêmios e também ultrapassou Senna nessa curva.

    Além dessa cena, outros momentos marcaram o circuito como Fernando Alonso se tornando o piloto mais jovem a vencer uma corrida (até 2008), Vettel vencendo e dedicando sua vitória (junto com a Ferrari) à Jules Bianchi, ou até um momento mais engraçado como Lando Norris quebrando um troféu quem nem era dele no pódio.

    Primeiras Vitórias.

    Esteban Ocon no primeiro lugar do pódio. Imagem: Folha UOL

    Hungaroring é especialmente memorável para dois pilotos, um que ainda corre na Fórmula 1, já que foram suas primeiras vitórias na categoria. Em 2006, Jenson Button (Honda) começaria a prova largando em 12º lugar, mas a corrida caiu nas mãos dele. Com abandonos durante a prova, safety car na pista, e resiliência, Button conquistou sua primeira vitória, na sua sétima temporada na categoria. 15 anos depois aconteceria mais uma vitória improvável em meio a uma corrida caótica.

    Esteban Ocon, que na época corria pela Alpine, largou em oitavo lugar no grid, conseguiu sobreviver no caos provocado por Valtteri Bottas, piloto da Mercedes em 2021. Depois de vários abandonos, causados por outros pilotos além de Bottas, aconteceu uma relargada inusitada, com só Lewis Hamilton, pilotando uma Mercedes, já que os outros pilotos tinham ido para o pit stop.

    Quando Hamilton foi para o box, Ocon assumiu a liderança. O piloto francês deu a vida para segurar Sebastian Vettel (Aston Martin), e contou também com a ajuda de seu colega de equipe, Fernando Alonso, que também segurava Hamilton. O resultado foi a felicidade grande para o francês nesse dia.

    Brasileiros no circuito.

    Além de Senna e Piquet, outros pilotos brasileiros correram no circuito húngaro, como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Mauricio Gugelmin, Roberto Moreno, Christian Fittipaldi, Pedro Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Enrique Bernoldi, Luciano Burti, Cristiano da Matta, Antonio Pizzonia, Nelsinho Piquet, Bruno Senna, Lucas di Grassi, Felipe Nars e Gabriel Bortoleto, atual representante brasileiro no grid da Fórmula 1.

    O risco perfeito.

    Com quase quarenta nos de história na Fórmula 1, a Hungria, que tinha mais uma atitude de se abrir para o mundo, se tornou palco de uma tradição no automobilismo de elite. Criar o circuito Hungaroring foi mais um ato arriscado na época, mas que hoje é motivo de orgulho para o país.

  • Hungria: uma viagem na história até Hungaroring.

    Da Antiguidade Clássica até a chegada da F1, conheça a história húngara marcada por batalhas, revoluções e recordes, no asfalto e no gramado mundial.

    Nelson Piquet pilotando no GP em 1986. Imagem: Estadão.

    Por Renata Resende

    Com uma história carregada de momentos marcantes, a Hungria recebe a Fórmula 1 no circuito Hungaroring, para o que promete ser mais uma disputa emocionante no asfalto húngaro. Mas o país proporciona cenas memoráveis na história da F1, mas também no gramado da Copa do Mundo e nos grandes acontecimentos da história mundial.

    Tempos antigos.

    Hungria nos tempos antigos. Imagem: Europa

    A origem húngara remonta ainda na época da Antiguidade Clássica quando Roma expandia seu império para o mundo afora. Com povos antigos migrando de um lado para o outro, os Hunos decidiram se firmar nas terras que um dia seriam a atual Hungria. Com a queda de Roma mais ondas imigratórias aconteceram, nas quais povos como germanos, eslavos e outros também foram passando por ali, até a chegada dos Magiares, que continuariam a história húngara.

    De acordo com a tradição, os Magiares chegaram por volta do século IX, e sob a liderança de Árpad, firmaram um futuro reino e queriam muito se aproximar da Europa Cristã. Foi rei Estevão I, ou como conhecido, rei Santo Estevão que realmente fundou o reino húngaro, chegando a receber do próprio papa da Igreja, a coroa de seu reinado. Mas a tranquilidade não durou muito, e logo começaria a primeira das devastações para o povo húngaro.

    Em 1242, os Mongóis chegaram devastando e fizeram um estrago na população e nas terras húngaras. Após a Batalha de Moji (link em inglês), desastrosa para o povo magiar, e a morte do comandante mongol, o rei Béla IV, retornou para o reino com o objetivo de construir castelos fortificados, que se tornariam importantes nas batalhas contra os Otomanos.

    Se reconstruindo, o reino Húngaro foi se fortificando cada vez mais, repelindo os Otomanos e tornando a Hungria um forte centro cultural na Europa. Mas os Otomanos não desistiram da ambição de tomar as terras húngaras e acabaram com a independência dos magiares em 1526, na Batalha de Mohács, massacrando o exército magiar. O reino húngaro então passaria pela sua primeira divisão territorial, na qual só 1 terço ficaria independente. Mas essa parte ainda não ficaria sob o comando dos magiares, e sim dos Habsburgos.

    Esse povo, que foi uma Dinastia extremamente importante na Europa (mas que é história para outro momento), queria retomar o terço húngaro que estava sob controle Otomano e faz com que o atual povo turco recuasse, mas não tornou a Hungria totalmente independente de novo. Mesmo com essa vitória, a nobreza húngara não ficou totalmente feliz, já que não tinha qualquer autonomia no território, sendo parte do Império Austríaco que comandava outro dos terços do território original.

    O povo húngaro, ao invés de baixar a cabeça, lutou por algum controle, começando a Revolução de 1848. A luta foi o suficiente para fazer pressão sobre o Império Austríaco, que decretou as “Leis de Abril”, dando autonomia ao Reino Húngaro, e também garantindo direitos civis aos húngaros como controle sobre impostos locais.

    Um tempo depois essas concessões foram retiradas e depois, até de uma guerra civil e, da Revolução ter sido reprimida, o Império Austríacos decidiu tomar algumas medidas para evitar que a Hungria se tornasse independente. Reconhecendo o Reino Húngaro como um Estado autônomo, o Império se tornou então Império Austro-Húngaro. E assim o território ficaria até estourarem a grandes Guerras Mundiais.

    O mundo em guerra.

    República Húngara. Imagem: BBC

    Em 1914, ocorreria o que seria a gota d’água para a Primeira Guerra Mundial, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, seria assassinado na Sérvia, e esse acontecimento geraria uma série de invasões, formando então a primeira das grandes guerras.

    O Reino Húngaro, por ser parte minoritária do controle imperial, sofria com a marginalização de populações que pertenciam a outras etnias. Para completar o sofrimento húngaro, após o fim da Primeira Guerra, o Império Austro-Húngaro, que fazia parte do grupo das Potências Centrais (junto com a Alemanha e Itália), foi desmantelado, e a parte Húngara foi fatiada, no Tratado de Trianon, tendo grande perda de população e território.

    Embora a Hungria tenha se tornado uma República independente, a situação do país não melhorava. Sob influência soviética, a nação tentou uma experiência comunista, mas o regime acabou entrando em colapso. Para piorar, começa o período conhecido como “Terror Branco”. Na tentativa de acabar com o regime comunista, aconteceu uma contrarrevolução que matou milhares de húngaros, metade deles sendo judeus.

    Ainda sobre o Tratado de Trianon, a Hungria não queria aceitar a perda que teve, mas não tinha sequer forças para lutar contra o tratado. Sua população, que vivia nas terras que não eram mais húngaras, sofriam com a discriminação, tendo consequências até os dias atuais, já que os que moram na atual Eslováquia, são proibidos de falar o idioma húngaro. Mas nem só de tristeza vivia o povo húngaro nesse período entre guerras.

    Nos anos trinta, quando o mundo tentava lidar com a Grande Depressão causada pela quebra da bolsa de Nova York em 1929, um evento mundial aconteceria que uniria várias nações, com o intuito de torcer pela sua Seleção disputando a Copa do Mundo. A Hungria não conseguiu participar da edição inaugural, (1930), mas quatro anos depois ela estaria lá, para trazer alegria ao seu povo.

    A Seleção Húngara passou pelas oitavas de final, tirando o Egito do caminho, mas a por coincidência do destino, se encontrou com a Áustria nas quartas de final. Perdendo de 2 a 1 para a antiga companheira de território, os húngaros voltaram para a casa, sentindo que seria apenas o começo de sua história nas Copas do Mundo. E provavelmente felizes, por terem sido vingados, já que a Itália eliminou Áustria na semifinal.

    Voltando para a disputa mundial em 1938, eles ficaram com seu melhor resultado nas Copas, levando a vice-liderança. Após a Copa de 38, o mundo teria outro palco de eventos, mas dessa vez não seria uma competição saudável, já que em 39, começaria a Segunda Guerra Mundial.

    Devastação e reconstrução.

    Quase na década de 40, surge um líder que usou seu carisma para convencer a frágil Hungria, que a crise existente em seu território era falta de homogeneidade de uma raça superior. Hitler, um político austríaco que quase tinha morrido na Primeira Guerra, usou sua lábia para tomar o poder na destruída Alemanha, dizendo ter a solução ideal para um recomeço germânico glorioso. E ele foi um dos poucos que estendeu a mão para também destruída Hungria.

    “Vamos Hungria, se alie com nossa luta e conquistaremos seus territórios perdidos.” E a Hungria realmente retomou suas terras, mas assim como Ícaro, os húngaros voaram perto demais do sol. Com uma autoestima elevada, um sonho e escutando os conselhos do “melhor amigo”, a Hungria declara guerra a União Soviética. O resto é história…

    Depois de várias derrotas e soldados perdidos, a Hungria tentou um acordo com o grupo dos Aliados, e isso caiu nos ouvidos do líder nazista. O alemão não quis deixar barato e invadiu o território húngaro, e depois de várias batalhas, os nazistas são derrotados.

    Bons recordes em Guerra Fria.

    Húngaros na Copa do Mundo de 1954. Imagem: GE Globo.

    A Segunda Grande Guerra acabou, mas os estragos ainda demorariam para acabar. A Hungria tentava se recuperar nesse novo mundo polarizado, e entrou para o lado socialista da força, se juntando a União Soviética. Em 1956, o trauma da guerra parecia ter esfriado nas mentes húngaras, e os populares decidiram se levantar contra o regime que comandava o país.

    A Revolução de 1956 começou com uma manifestação popular, que se encontrava infeliz a situação do país. O ministro da Defesa não discordava do povo, e deu ainda mais força. Até aconteceu uma trégua, mas no final a União Soviética invadiu e massacrou a revolta.

    Depois de alguns anos, já quase na década de 90, a Hungria queria dissolver o Pacto de Varsóvia, sendo um dos primeiros países soviéticos a querer acabar com esse regime. A atitude húngara acabou se tornando um dos motivos para o fim na União Soviética e junto o fim da Guerra Fria, começando assim um novo marco para o mundo inteiro.

    Mas a Hungria não foi só o primeiro país a querer sair do bloco socialista, como foi também o primeiro a trazer um outro evento esportivo mundial para seu território. Evento esse muito… capitalista em sua essência. No ano de 1986, a Fórmula 1 chega nas terras húngaras e começando com chave de ouro, já que teve uma dobradinha brasileira no pódio, com Nelson Piquet (Williams) em 1º e Ayrton Senna (Lotus) em 2º, e com a companhia de Nigel Mansell (Williams) fechando o pódio.

    No mesmo ano que sediava pela 1ª vez a F1, era também o último que competia na Copa do Mundo. Mesmo não conseguindo se classificar de novo para a Copa do Mundo, a Hungria entrou para o livro de Recordes pelas suas goleadas no evento (meus pêsames aos times que enfrentaram os húngaros).

    Voltando a história do país, os húngaros tiveram suas primeiras eleições livres em 1990, com os socialistas sendo esculachados na votação. Quatro anos depois foi registrada uma queda na qualidade e vida húngara, e os socialistas se aproveitaram disso para voltarem ao poder, mas o país não voltou a ser aquele modelo socialista ferrenho de antes.

    Atualmente a Hungria faz parte tanto da OTAN (Organização do Tratado Atlântico do Norte) quanto da UE (União Europeia), sendo um dos países da UE que não tem o Euro como moeda nacional e com a língua Húngara (ou Magiar) reconhecida oficialmente pela organização.

    Idioma . Fórmula 1 . Copa do Mundo.

    A Hungria ainda tem muita história pra contar, com seu idioma diferenciado, seus momentos marcantes na F1 e as goleadas na Copa do Mundo, mas elas ficam para os próximos posts. Te espero por aqui!

    Referências e leituras recomendadas:

    Esta matéria tem como base de construção fontes confiáveis como BBC (perfil da Hungria), VatticanNews, Brittanica (em Inglês), VEJA, Brasil Escola, FIFA, F1 (site oficial) e outra fontes linkadas ao longo do texto.