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  • Rússia: fora do asfalto e do gramado mundial.

    Rússia: fora do asfalto e do gramado mundial.

    País que sediou a Fórmula 1 e a Copa do Mundo, a Rússia hoje se encontra suspensa dos principais eventos esportivos mundiais.

    Grande Prêmio da Rússia. Imagem: F1.

    Por Renata Resende

    Durante oito temporadas, a Rússia fez parte do calendário da Fórmula 1, sediando em Sochi, mas o circuito ali presente não agradava tanto o público. A ideia era mudar a sede do GP, levando para o circuito de Igora Drive, em São Petersburgo em 2023, mas os planos foram cancelados um ano antes da transferência, quando começou a guerra.

    O ato de invadir Ucrânia desagradou o mundo, e uma das decisões contra a Rússia foi excluir o país, temporariamente, de eventos esportivos mundiais, como a Fórmula 1 e a Copa do Mundo.

    Início de um sonho, na prática nem tanto.

    Levar a F1 para a Rússia era uma ambição de Bernie Ecclestone, o então dono da categoria. Na verdade, seu desejo era levar o campeonato para a Rússia e para Nova York, e ele conseguiu apoio de Vladimir Putin para esse feito.

    Leia também: A Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    Usando o parque olímpico, onde recebeu as Olimpíadas de Inverno de 2014, como cenário de construção, Hermann Tilke arquitetou o traçado do circuito.  Mas desde quando estreou no calendário, Sochi nunca tinha se tornado um dos GPs mais esperados pelos fãs.

    O circuito com curvas de 90 graus, não dava chance para muitas ultrapassagens, e o fato de só a Mercedes ter ganhado em todas as provas desde o primeiro GP russo, era só mais um ponto que desagradou do público. Era a chance de Putin levar o evento para sua cidade natal.

    Autódromo de Igora Drive, em São Petersburgo. Imagem: Ge Globo.

    Nascido em São Petersburgo, uma das cidades mais famosas da Rússia, o presidente tinha interesse em mudar a etapa de circuito e o governo russo fez uma pressão para que a etapa da F1 saísse de Sochi e fosse para São Petersburgo. Já em 2021, o anúncio foi feito e a partir de 2023, o GP da Rússia aconteceria em Igora Drive… até a guerra começar em 2022.

    Dias após a invasão russa sobre seu país vizinho, a FIA lançou um comunicado (em inglês), dizendo que a Rússia não iria sediar esportes automotivos por tempo indeterminado, incluindo a Fórmula 1. Decisão essa, apoiada por alguns pilotos da categoria de elite.

    Sebastian Vettel, que na época pilotava pela Aston Martin, já tinha afirmado que, havendo ou não o Grande Prêmio de Sochi, ele não iri participar da prova, se firmando contra a ação russa. A decisão também foi seguida pela McLaren.

    A equipe papaya tinha tido uma prova ruim na etapa russa de 2022 no país. Lando Norris estava liderando a corrida, mas por uma decisão ruim, de continuar com os pneus slick mesmo sob a chuva torrencial, Norris acabou derrapando na prova e entregando a liderança para Lewis Hamilton.

    Nessa mesma etapa, Hamilton conquistou sua centésima vitória na categoria, pela Mercedes. Vale lembrar que a equipe alemã tinha vencido todos os Grandes Prêmios da Rússia desde a estreia do país no calendário em 2014.

    Na época, a promotora do GP russo, Rosgonki, se pronunciou (em inglês), pedindo aos fãs que tinham comprado o ingresso não fazerem o reembolso ainda pois ainda havia esperança da corrida acontecer normalmente.

    Além da corrida ser cancelada, a Haas, equipe estadunidense também se posicionou na questão. Tirando as cores da bandeira russa do seu carro ainda na pré-temporada, quando rescindiu o contrato com a Uralkali (patrocinadora da equipe), e também encerrou o contrato com o piloto russo, Nikita Mazepin.

    Mas não seria só o asfalto que fecharia as portas para os russos. Nos gramados, a Rússia deixaria de ser bem vinda.

    Cartão vermelho para os russos.

    Seleção Russa em campo. Imagem: Band.

    Em 2022 também foi o ano de mais uma Copa do Mundo, e a Rússia enfrentaria um rival histórico nas eliminatórias da Copa, a Polônia.

    Os poloneses estavam indignados com seus rivais e decidiram não se dar o trabalho de lidar com eles no gramado mundial. A Seleção Polonesa se recusou a jogar com a russa nas repescagens (em inglês), mas conseguiu uma vaga direta para a final das eliminatórias, onde enfrentaria a Suécia.

    A Rússia, por outro lado, foi suspensa pela FIFA, indo do céu ao inferno, já que enquanto quatro anos antes sediava o maior evento mundial do futebol, agora estava sendo eliminada antes mesmo de participar da Copa.

    Em conjunto com a FIFA, a UEFA (Union of European Football Associations) também decidiu barrar a participação de times russos de  competições europeias, como na Champions League.

    Virando pesadelo.

    A ideia que a Rússia tinha em mente era ampliar sua participação no esporte mundial, mas seus planos foram por água abaixo em poucos anos, quando perdeu a chance de participar deles. Mas quem sabe num futuro próximo o país volte com tudo no cenário esportivo mundial, não é mesmo?

  • A Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    A Rússia do século XX: Da foice e do martelo até Putin no poder.

    Passando pela queda da Dinastia Romanov e pelo Bloco Soviético, a história russa passou por revoluções, ideologias e transformações que ajudaram a moldar o mundo atual.

    O Domingo Sangrento. Imagem: DW.com

    Por Renata Resende

    Chega o século XX, e o mundo passa por transformações que deixariam pessoas, dos séculos anteriores, de queixo caído. E na Rússia não foi diferente. O país de maioria eslava passaria por mudanças que deixariam os varegues chocados. Um fim de czarado, revoluções estourando, territórios explorados que passavam até do limite do céu, e uma ideologia que interferiria do mundo inteiro. Mal sabia o czar Nicolau II o que ainda viria pela frente.

    Leia também: Rússia: da influência viking até o fim dos czares.

    O império cai.

    Czar Nicolau II. Imagem: O Globo.

    Quando Nicolau II assumiu o poder, decidiu fazer um luxuoso banquete para festejar sua coroação, mas essa ostentação não poderia ter vindo em um momento pior. Fora do palácio, os camponeses passavam fome, greves eram instauradas, a situação do país decaia cada vez mais. Poucos anos depois aconteceu uma manifestação, que começou pacífica, se tornou cena de um dos piores episódios da história russa, conhecido com o Domingo Sangrento (em inglês).

    Liderada pelo padre Georgy Gapon, o povo russo iniciou uma manifestação pacífica, desejando entregar ao czar mudanças que iriam melhorar a qualidade de vida deles. Sem violência, os russos carregavam itens religiosos e retratos de Nicolau, junto com as petições. Porém, ao chegarem no Palácio de Inverno, o sonho virou um pesadelo. O czar não se encontrava no palácio, e a força armada massacrou os manifestantes.

    A crise piorou, não importava a classe social, muitos já não queriam mais aquele governo desastroso. Revoltas estudantis, greves e alguns cidadãos até partiam para o terrorismo. A situação ficou tão feia, que aconteceram motins até dentro da força militar, apoiando a luta, conhecida como a Revolução de 1905 (em inglês).

    Sob coação, o czar fez promessas ao povo. Criou uma assembleia, a Duma, e disse que nenhuma lei entraria em vigor sem a aprovação da Duma. Mas o que ele realmente queria era seguir outros planos.

    Assim que a poeira baixou, Nicolau foi a fundo para recuperar seus poderes de autocrata. Aproveitando o momento, ele financiou a União do Povo Russo, uma organização de extrema direita, que disseminava até o antissemitismo no meio do povo.

    Guerra no mundo, revolução na Rússia.

    Quando a Primeira Guerra Mundial começou, a Rússia entrou no conflito não porque tinha sido atacada diretamente por alguma das potências centrais, mas sim dizendo apoiar sua aliada, a Sérvia. O czar decidiu fazer do limão uma limonada e usar o conflito para fortalecer o Estado, inflando o povo com um ideal nacionalista. Só não equipou o exército russo direito para as trincheiras.

    Com armamento e vestimentas defasadas, os russos foram para o campo de batalha, sofrendo mais do que outros soldados, que tinham um equipamento melhor. Para piorar (se é que dava), Nicolau achou que seria uma boa ideia ir pessoalmente assumir o comando militar, e deixar um buraco na administração do país. Além disso, a czarina Alexandra ficou sob mais influência de Rasputin, um curandeiro famoso que conquistou a confiança da família Romanov por ter ajudado o herdeiro do czar.

    Enquanto na guerra, soldados russos faziam o que podiam para lutar, no restante do território russo a crise piorava cada vez mais. A inflação subia e a população mal conseguia comprar o pão para sobreviver. Aconteceu então a Revolução de 1917, com greves e protestos em Petrogrado e grupos, como um de mulheres russas e até força militar aderiu, derrubando o poder aristocrático do czar.

    Nicolau não teve outra opção a não ser renunciar seu posto, e foi detido junto com sua família. Um governo provisório começa, mas a Rússia ainda não sai da guerra. A Alemanha, vendo toda a situação russa, decide colocar mais lenha na fogueira e facilita a volta de Vladimir Lenin para a Rússia, querendo que a instabilidade no país aumentasse e ele saísse do seu caminho.

    Agora sim os russos sairiam da guerra e, algum tempo depois, começaria uma mudança de sistema no país, começando uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

    O martelo e a foice.

    A bandeira do partido comunista sendo exibida. Imagem: CNN

    Inspirados pela ideologia de Karl Marx, Lenin e seus apoiadores começariam um novo regime no território multiétnico. Uma nova política econômica (NEP) (em inglês) tinha entrado em vigor antes da formação do bloco soviético e a Rússia estava conseguindo se recuperar economicamente. Mas ainda tinha problemas para resolver naquelas terras.

    A elite que apoiava o czarado não estava feliz com a situação e decidiu revidar, ou pelo menos tentar. Se o exército comunista seria conhecido como Exército Vermelho, os aristocratas, junto qualquer um que fosse antibolchevique (ou anticomunista), viriam com o Exército Branco.

    Junto com os nomes das armadas, começam também dois terrores, o Terror Branco e o Terror Vermelho, os nomes seguindo a lógica dos guerrilheiros. E quem levaria a pior continuaria a ser a população.

    Quando Lenin morre, o Partido Comunista chega a ser dividido, pois Josef Stalin e Leon Trotsky tinham ideias diferentes entre si, e só participavam do mesmo partido por causa de Lenin, chegando a se tornarem adversários políticos. Mas Stalin foi consolidando seu poder, e começaria com o governo que estudiosos chamam de “Stalinista”.

    De volta aos conflitos mundiais.

    Em 1939 começa o conflito mundial mais sangrento da história (até hoje), conhecido como a Segunda Guerra Mundial. Agora como URSS, o país entra como um importante fator para a derrota da Alemanha Nazista. Mas Stalin não começou na guerra como um inimigo declarado de Hitler.

    Antes de invadir a Polônia, a Alemanha e a URSS entram com um Tratado de Não Agressão, mas com uma entrelinha que só foi ser divulgada ao mundo anos depois. Com o Pacto Molotov-Ribbentrop, eles tinham a ideia era dividir o território polonês, mas não invadindo juntos o território pra não dar bandeira para o mundo.

    Hitler então invade a Polônia, e um tempo depois Stalin toma a outra parte do que era território de um país independente.

    Mais tarde, após ver sua tentativa de invasão a  Grã-Bretanha fracassar, já que os britânicos eram superiores do meio aéreo, o comandante alemão voltou seus olhos para a URSS e decidiu tentar tomar o território soviético. Assim como aconteceu com Napoleão, o Reich alemão também perdeu (os detalhes do acontecimento ficam para outra hora).

    A Segunda Grande Guerra acaba e a Europa fica em frangalhos. Os EUA e a URSS começam a ajudar a reconstruir o continente europeu, ao mesmo tempo que começam uma queda de braço para ver quem é mais forte. E começa a Guerra Fria.

    A URSS tenta espalhar o modelo comunista o tanto quanto pode, enquanto bate de frente com o sistema capitalista estadunidense. Enquanto essa guerra ideológica acontece, grandes avanços vão acontecendo principalmente na tecnologia e nos armamentos de batalha, mas os dois países nunca entraram definitivamente em guerra entre si.

    A URSS avançou, mas chegou uma hora que não deu conta de manter mais seu poder, e o governo soviético foi se desfazendo. Com o passar do tempo, nem abrindo sua economia para o mundo ou cedendo para o fim da censura, através de políticas como a Perestroika e da Glasnost, o território soviético conseguiu se manter por muito tempo.

    Quando o Pacto de Varsóvia é desfeito, em 1991, vários países são formados, e outros Estados, como a Hungria, voltam ter autonomia sobre si.

    Leia também: Hungaring: quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

    Fim de uma era.

    Em 1989 aconteceu uma das cenas mais memoráveis da história mundial. Sob um discurso confuso do dirigente da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, o povo alemão, dividido entre oriental e ocidental, vai para as ruas de Berlim. O Muro que dividia a capital alemã deixaria de existir, e os alemães finalmente se reuniriam em uma só nação.

    Famílias e amigos, separados contra a vontade por uma guerra de ideologias entre dois países poderosos, finalmente iriam se encontrar, se abraçar, matar a saudade uns dos outros. Mais uma pá de cimento sobre o bloco socialista.

    Dois anos depois a URSS acabaria oficialmente, e vários novos países seriam formados. Voltando a ser Rússia, o país poderia estar fraco, mas não deixaria de ser a influência que tanto teve.

    Após o fim do bloco, aconteceu a primeira eleição, para eleger o presidente, de toda a história russa. Comandando a federação na transição entre socialismo e capitalismo, Boris Yelstin renuncia oito anos após sua eleição. Vladimir Putin foi o segundo presidente a ser eleito, chegando a ser reeleito em 2004, 2012, 2018 e 2024, quando provavelmente ficará no poder até 2030.

    Decisões geram consequências.

    Haas rescinde o contrato com Nikita Mazepin após a invasão da Ucrânia. Imagem: Team- BHP

    Dando um pulo no tempo, em 2022 a Rússia, sob o comando de Vladimir Putin, decide partir para cima da Ucrânia, sob algumas justificativas, como tentar desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, entre outros motivos. Os ucranianos, por sua vez, não abaixam a cabeça e enfrentam com tudo de podem.

    Grande parte do mundo ficou indignado com uma situação dessas. E os russos não ficaram ilesos. A guerra dura até hoje (2026), e a Rússia sofreu várias sanções, principalmente econômicas.

    E uma das consequências dessa atitude foi a eliminação do país de dois dos principais eventos mundiais esportivos, a Copa do Mundo e a Fórmula 1.

    Na Copa do Mundo de 2022, alguns países chegaram a se recusar a jogar contra a Seleção russa nas eliminatórias. A Polônia foi um desses. Com rivalidade histórica, os poloneses se recusaram a disputar nas vagas de repescagem, e a FIFA deu uma vaga direta a Seleção Polonesa na final da repescagem.

    Na Fórmula 1, não só o Circuito de Sochi foi tirado do calendário, como a carreira de Nikita Mazepin também afetada. O russo pilotava pela Haas na época do começo da guerra, e teve o contrato rescidido.

    Mesmo depois de anos da queda dos Romanov, a Rússia nunca deixou ser um país importante no cenário mundial. Entrando e saindo de conflitos, a história mundial e a geopolítica estão sendo sempre influenciada pelos russos.

  • Rússia: da influência Viking até o fim dos czares.

    Rússia: da influência Viking até o fim dos czares.

    Viajando pela história da Rússia, da chegada dos varegues até o declínio da Dinastia Romanov.

    Por Renata Resende

    Catedral de Aleksandr Niévski (Novoiarmorotchni), Níjni Nôvgorod. Imagem: Janela para a Rússia.

    Considerado um dos países mais imponentes do mundo, a Rússia tem um histórico marcante no esporte mundial, seja no asfalto da Fórmula 1 ou nos gramados da Copa do Mundo. Atualmente, devido a algumas decisões controvérsias tomadas pelo governo russo, como invadir a Ucrânia, o país foi excluído desses eventos internacionais. Mas antes de chegar no momento de sua eliminação no esporte mundial, vale lembrar como a Rússia chegou nesse ponto atual.

    Migrações, o povo eslavo e o futuro Império.

    Rurique, o lendário fundador da Rus de Kiev. Imagem: Russia Beyond BR.

    Séculos antes de Cristo, vários povos já migravam de um lado para o outro, deixavam vestígios e suas tribos por vezes se enfrentavam em vários territórios do mundo, e na Rússia não foi diferente. Tribos guerreiras como Ávaros, Protobúlgaros, Cazares (origem turca) e os Hunos (que quase acabaram com a raça do império romano) foram passando por aquelas terras, até que os eslavos chegassem e formassem a base da população russa moderna.

    Vindos do leste, os eslavos começaram a se movimentar, partindo de Kiev e Polócia para outras partes daquelas terras. E é em Kiev que começa oficialmente as histórias da Rússia, Ucrânia e Belarus, e hoje é a atual capital da Ucrânia.

    De acordo com a Crônica Primária (em inglês), livro que conta a história da Rússia de Kiev, ou Rus de Kiev, um povo conhecido como Varegues (vindos do mar Báltico), sob a liderança de Rurique e seus sucessores, conquistaram Kiev, fundou a Rus de Kiev e expandiram seu território, subjugando povos que viviam a leste de Kiev. Chegando a destruir o Império Cazar enviaram expedições militares sobre a Pérsia e o Império Bizantino. Então começaria o que seria conhecido como a “Era de Ouro de Kiev”.

    A partir daí, eles assimilaram o Cristianismo Ortodoxo (vindo dos bizantinos) e criaram o primeiro código legal escrito, o Russkaia Pravda. Mas a felicidade não durou muito, e tribos turcas nômades logo chegariam e fariam que os eslavos procurassem terras mais seguras para viver. Logo chegaria também os chamados “Tempos difíceis” nas terras russas, com invasões, fome e peste devastando o território.

    A Dinastia de Ruríque caiu em decadência, o domínio de Kiev entra e declínio, e mais povos vão invadindo a antiga Rússia. Mongóis chegaram, espalhando o terror, e junto com seus súditos turcos, invadiram a Rus de Kiev e pilharam os principados russos. Começou então o Canato da Horda Dourada, chegando a ficar no comando por mais de dois séculos. Mas além de Rus de Kiev, outro lugar também entrou para história da fundação da Rússia, a Novogárdia.

    A Novogárdia, ou Novgorod, foi uma das poucas cidades a serem poupadas do massacre dos mongóis. Os novogárdios( que tinha uma grande influência viking) liderados por Alexandre Nevski, repeliram guerreiros que tentavam invadir suas terras, na Batalha de Neva (contra o suecos) e na Batalha do Lago do Pelpus (contra os germânicos). A cidade só foi perder sua autonomia e ser anexada na Rus, quando derrotada para Moscou, ou Moscóvia.

    Moscóvia era o estado mais poderoso da Rus de Kiev, e ali iniciou o Grão-Ducado de Moscou, tendo como primeiro Grão-Duque, Ivã III, que se livrou do Canato da Horda Dourada. Além de recuperar o poder sobre o território russo, ainda foi expandindo o território. A Moscóvia reivindicou a sucessão sobre o caído Império Bizantino. Ivã chegou a se casar com Sofia Paléologa, sobrinha do último imperador bizantino, e tornou a águia bicéfala como seu brasão.

    Foi o neto de Ivã III, que teve o título de primeira Czar (“César”) da história russa. Entre os feitos de Ivã IV estão, estabelecer um novo código de leis, criar o primeiro órgão representativo na Rússia feudal e quase dobrar o território durante seu czarado. Um tempo depois, já numa má fase, e conquistando o título de “O Terrível”, Ivã enfrentou uma coalização entre poloneses, lituanos e suecos, com o objetivo de conseguir acesso ao mar Báltico e ao comércio marítimo. A derrota foi iminente.

    Além da Guerra da Livônia, os otomanos, junto com crimeanos, invadem e queimam partes de Moscou, mas os russos conseguem vencer. A Dinastia Ruríquida termina, quando morrem os filhos de Ivã, e junto com a fome que assola a Rússia, começa uma guerra civil. Partes do território russo é tomado pela comunidade Polaco-Lituana. A situação só começa a melhorar quando voluntários russos expulsam os poloneses e a Dinastia Romanov sobe ao comando.

    Entre os nomes mais famosos dos Romanov, se destaca Pedro, O Grande. O governante transformou a Rússia numa potência mundial reconhecida. Derrotou os suecos, fundou São Petersburgo e trouxe influências da Europa Ocidental para o Estado russo. Seu neto, também chamado Pedro, se casou com Catarina, e levou uma rasteira da própria esposa. Mas Catarina também fez seu nome na história russa.

    Coroação da Imperatriz Catarina II. Imagem: National Geographic Portugal.

    Além de continuar o trabalho de Pedro I, Catarina (em inglês) investiu afundo no território, criando cidades, expandindo o comércio e desenvolvendo a comunicação. Mas nem só de louros foi o governo dela. Mesmo sendo amiga de Voltaire e adepta às ideias iluministas, a imperatriz agiu diferente na prática, chegando a piorar a vida dos camponeses. Outro feito de Catarina foi participar da Partilha da Polônia, apagando o Estado temporariamente do mapa, dividindo seu território entre Rússia, Prússia e Áustria.

    Após a morte da imperatriz, seu filho Paulo assumiu o poder, mas foi Alexandre que se destacou no comando do império russo. Neto favorito de Catarina, era o czar quando Napoleão decidiu atacar a Rússia. O exército francês chegou a tomar Moscou, mas além do frio e da fome, a estratégia de recuo russo, a destruição de recursos e a logística ruim, o fez recuar. Napoleão Bonaparte, que vinha conquistando territórios para seu Império, sofreu essa derrota que não só acabou com sua carreira militar como também o humilhou.

    Ao longo do século 19 mais eventos foram acontecendo pela Rússia, com destaque para o governo do czar Nicolau I. Dentro das possibilidades da época, e sem bater de frente com os elitistas, Nicolau melhorou a qualidade de vida dos servos russos. Foram criados escolas e institutos a fim de especializar o comércio, a engenharia e a silvicultura. Surgiram também as ferrovias pelo país, mas o sistema ferroviário não ficou adequado o suficiente.

    Outro destaque fica para a guerra da Crimeia, na qual os russos enfrentaram uma coalizão entre britânicos, franceses e turcos. A Rússia sofreu severas perdas nessas batalhas e se retirou oficialmente da guerra, quando Alexandre II assume o czarado, após a morte de seu pai Nicolau I. O czar Alexandre II também ficou conhecido como “O Libertador” pois enfrentou a nobreza, libertou os servos e cedeu empréstimos para que eles pudessem comprar terras. Agora os camponeses eram livres, mas presos na dívida do empréstimo.

    Quando Alexandre II foi assassinado por revolucionários, seu filho assume como czar Alexandre III. Esse governante por sua vez era conhecido como um pacificador, não se envolvendo em guerras. Foi ele que quis disseminar a língua russa por todo o território. Após sua morte, seu herdeiro assume, e ele seria o último czar da história russa. Nicolau II, com uma coroação já impactando negativamente no país, e com um governo que causaria mudanças radicais em toda Rússia, mas isso é história pro próximo post. Até lá!

    Leia também: Hungria: uma viagem na história até Hungaroring.

  • Hungria: dos gramados da Copa do Mundo até o asfalto na Fórmula 1.

    Hungria: dos gramados da Copa do Mundo até o asfalto na Fórmula 1.

    Antes de sediar a Fórmula 1, a Hungria já fazia história no esporte mundial, proporcionando momentos incríveis para o mundo do futebol.

    Por Renata Resende

    Alemanha Ocidental e Hungria. Imagem: GE.Globo

    Destaque na história da Copa do Mundo por seus feitos impressionantes, a Seleção Húngara tem passado por altos e baixos, não conseguindo se classificar no torneio internacional desde 1986. Coincidência ou não, no mesmo ano em que deixava temporariamente a Copa do Mundo, sendo eliminada ainda na fase de grupos, estrearia em outro evento esportivo mundial, a Fórmula 1.

    O começo húngaro no gramado mundial.

    Em 1930 aconteceu a primeira das muitas edições da Copa do Mundo, com sede no Uruguai. E foi ali, nas terras uruguaias que o primeiro campeão foi consagrado. Com apenas 13 seleções disputando, a final foi entre dois vizinhos sul-americanos. Argentina e Uruguai se enfrentaram, com a seleção uruguaia fazendo a festa nas próprias terras. Mas a Hungria só entraria para a competição na sua segunda edição.

    Quatro anos após a primeira edição, a Hungria estreou num duelo contra o Egito, ganhando de 4 a 2 e conseguiu se classificar para as quartas, quando enfrentaria a outra metade do seu antigo império, a Áustria. Ali nas terras italianas, a Áustria levou a melhor, mas perdeu na semifinal para a dona da casa. Na própria capital, a Itália conquistaria a primeira de suas quatro estrelas da camisa.

    É Magyares na final!

    Seleção de Ouro da Hungria. Imagem: Imortais do Futebol.

    Na terceira edição da Copa do Mundo, a Hungria teria um de seus melhores resultados. Seu primeiro duelo seria contra a Indonésia, em que venceu e os húngaros fizeram a festa, já se preparando para a próxima fase, quando enfrentariam a Suíça.

    Passando pelos suíços, que não fizeram nenhum gol, a Hungria iria enfrentar a Suécia na semifinal. Pela primeira vez na sua história, eles chegaram à final do torneio, mas perderam o título para a Itália. Em 1954, a Hungria voltaria a enfrentar uma final, dessa vez com sua Seleção de Ouro.

    Ídolo do futebol húngaro, Ferenc Puskás liderava o time pelos gramados suíços. Batendo recordes nas goleadas contra a Coreia do Sul (9 a 0) e contra a Alemanha Ocidental (8 a 3), a Hungria foi apontada como uma das favoritas para ganhar a Copa de 54. Passando fase por fase, os “Magiares Mágicos” eliminaram, respectivamente, o Brasil e o Uruguai, antes de partirem para mais uma final.

    Com um gol de Puskás e outro de Czibor, a Hungria começou vencendo os alemães ocidentais, dando a impressão que a taça seria deles. Mas os alemães não abaixaram a cabeça. Morlok começou a dar esperança para a Seleção da Alemanha Ocidental, e Rahn empatou e virou o jogo. O jogo terminou com o placar Hungria 2 x 3 Alemanha Ocidental, entrando para a história como o “Milagre de Berna”. Infelizmente para os húngaros, esse foi o último melhor resultado para eles nas Copas do Mundo.

    A derrocada dos Magyares.

    Em 1958, a Hungria tentou retornar com tudo para a Copa do Mundo, mas foi eliminada ainda na fase de grupos, empatando apenas em um jogo contra o País de Gales, e sendo derrotada nos outros jogos do grupo.

    Em 1962, chegou nas quartas de final, mas perdeu para a antiga Tchecoslováquia. Quatro anos depois, os húngaros seriam eliminados de novo na mesma fase, mas dessa vez perdendo para a União Soviética. Depois disso, a Hungria só participaria de mais três edições das Copas, em 1978, 1982 e 1986, sendo eliminada na fase de grupos. Após 1986, a Seleção Húngara não conseguiu mais se classificar para o torneio mundial (até 2026).

    O futebol húngaro e a Revolução de 1956.

    Na década de 50, os húngaros se encontravam insatisfeitos com o atual regime comunista no país, e decidiram começar uma revolução. Infelizmente o resultado foi ruim para o país, já que a União Soviética massacrou a revolta. Foi nesse conflito que alguns jogadores, da Seleção de Ouro húngara, decidiram sair do país e continuar a jogar futebol em outros países, como o próprio Puskás, que migrou para a Espanha, chegando a jogar pelo Real Madrid e pela Seleção Espanhola.

    Puskás chegou a ser motivo de vergonha para os húngaros por causa dessa saída, sendo considerado um traidor, mas hoje ele é considerado o ídolo do país, assim como Pelé para o Brasil e Maradona para a Argentina. A contribuição dele para o futebol nacional e internacional foi tão grande, que tem estádio com seu nome na Hungria e a FIFA criou o Prêmio Puskás, para eleger o gol mais bonito do ano.

    Torcedores polêmicos.

    A torcida húngara, principalmente a “Carpathian Brigade”, esteve envolvido em polêmicas como racismo e homofobia, contra jogadores de outras seleções, como os ingleses. Na disputa entre Hungria e Inglaterra, alguns torcedores húngaros foram acusados de proferir insultos de cunho racial contra os jogadores Jude Bellingham e Marcus Rashford.

    Além dos casos de racismo, alguns desses torcedores foram também ligados a atos de homofobia, quando levaram uma bandeira no estádio escrito anti-LGBTQ, durante jogos da Seleção, como na imagem abaixo:

    Torcedores húngaros praticando homofobia. Imagem: GE.Globo.

    A Hungria chegou a ser punida pela UEFA (União das Federações Europeias de Futebol), tendo que disputar três jogos em casa com os portões fechados, mais uma multa de 100 mil euros e teria que exibir uma faixa escrita #EqualGame, junto com o logotipo da UEFA.

    Dos gramados ao asfalto.

    Mesmo não conseguindo se qualificar a anos na Copa do Mundo, a Hungria deixou sua marca no esporte, seja pela lendária Seleção de Ouro, seja na forma como o futebol é jogado até hoje. Enquanto não continua sua história nos gramados do principal torneio mundial, os húngaros permanecem no esporte internacional, deixando sua marca também no asfalto da Fórmula 1, mantendo sua tradição nos grandes eventos esportivos.

    Leia também: Hungaroring: Quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

  • Hungaroring: Quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

    Hungaroring: Quando a Fórmula 1 atravessou a Cortina de Ferro.

    A chegada da Fórmula 1 na Hungria socialista se tornou não só um marco para a história da categoria, como também do país.

    Por Renata Resende

    Hungaroring. Imagem:Band

    Num período de guerra, principalmente ideológica, como foi na Guerra Fria, ter a ideia de trazer um esporte característico do Ocidente capitalista para um país socialista, parece improvável não? Até um pouco absurda. Mas a Hungria não deixou que isso a impedisse de criar um circuito e levar a Fórmula 1 para as terras húngaras (em inglês).

    A história do país é marcante, como foi falada no post anterior, com vários altos e baixos ao longo dos tempos. Em 1986, a Hungria não queria viver mais sob o regime Comunista, e lutava pelo direito de eleger seus representantes. Num ano que já não estava sendo dos melhores, pela sua eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo, o país resolveu inovar, trazendo um esporte diferente (até da ideologia que governava na época), fazendo mais um ato de colocar o pé pra fora do bloco soviético.

    Entrando para a história.

    Senna e Piquet duelando na pista. Imagem: Globo Esporte.

    Então no dia 10 de agosto de 86, acontece o primeiro Grande Prêmio da Hungria, o grid de largada foi a felicidade brasileira. Ayrton Senna (Lotus Renault) consegue a melhor volta e pega a Pole Position. Em seguida vem Nelson Piquet, pilotando sua Williams Honda.

    Já durante a corrida, Senna até tentou segurar o compatriota, mas Piquet o ultrapassou com maestria. Depois de tentar ultrapassar Senna e levar um x na pista do mesmo, Piquet tenta de novo, com o carro quase escorregando no asfalto, mas se mantem na liderança. Inclusive, a primeira curva do circuito foi nomeada Piquet (em inglês), pois o pai de Kelly Piquet ganhou os dois primeiros Grandes Prêmios e também ultrapassou Senna nessa curva.

    Além dessa cena, outros momentos marcaram o circuito como Fernando Alonso se tornando o piloto mais jovem a vencer uma corrida (até 2008), Vettel vencendo e dedicando sua vitória (junto com a Ferrari) à Jules Bianchi, ou até um momento mais engraçado como Lando Norris quebrando um troféu quem nem era dele no pódio.

    Primeiras Vitórias.

    Esteban Ocon no primeiro lugar do pódio. Imagem: Folha UOL

    Hungaroring é especialmente memorável para dois pilotos, um que ainda corre na Fórmula 1, já que foram suas primeiras vitórias na categoria. Em 2006, Jenson Button (Honda) começaria a prova largando em 12º lugar, mas a corrida caiu nas mãos dele. Com abandonos durante a prova, safety car na pista, e resiliência, Button conquistou sua primeira vitória, na sua sétima temporada na categoria. 15 anos depois aconteceria mais uma vitória improvável em meio a uma corrida caótica.

    Esteban Ocon, que na época corria pela Alpine, largou em oitavo lugar no grid, conseguiu sobreviver no caos provocado por Valtteri Bottas, piloto da Mercedes em 2021. Depois de vários abandonos, causados por outros pilotos além de Bottas, aconteceu uma relargada inusitada, com só Lewis Hamilton, pilotando uma Mercedes, já que os outros pilotos tinham ido para o pit stop.

    Quando Hamilton foi para o box, Ocon assumiu a liderança. O piloto francês deu a vida para segurar Sebastian Vettel (Aston Martin), e contou também com a ajuda de seu colega de equipe, Fernando Alonso, que também segurava Hamilton. O resultado foi a felicidade grande para o francês nesse dia.

    Brasileiros no circuito.

    Além de Senna e Piquet, outros pilotos brasileiros correram no circuito húngaro, como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Mauricio Gugelmin, Roberto Moreno, Christian Fittipaldi, Pedro Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Enrique Bernoldi, Luciano Burti, Cristiano da Matta, Antonio Pizzonia, Nelsinho Piquet, Bruno Senna, Lucas di Grassi, Felipe Nars e Gabriel Bortoleto, atual representante brasileiro no grid da Fórmula 1.

    O risco perfeito.

    Com quase quarenta nos de história na Fórmula 1, a Hungria, que tinha mais uma atitude de se abrir para o mundo, se tornou palco de uma tradição no automobilismo de elite. Criar o circuito Hungaroring foi mais um ato arriscado na época, mas que hoje é motivo de orgulho para o país.

  • Como Maria Teresa de Filippis Quebrou Barreiras na Fórmula 1

    Maria Teresa de Filippis fez história sendo a primeira mulher a competir na Fórmula 1. 

    Por Renata Resende

    Maria Teresa de Fillipis/ Foto: Le Monde

    Maria Teresa de Filippis, esse é o nome da mulher que, com apenas 22 anos, se enfiou em um mundo completamente dominado por homens, conhecido como o automobilismo. Nenhum começo de texto vai ser impactante o suficiente para representar o que essa italiana fez, e como ela abriu caminho para muitas mulheres entrarem nesse esporte.

    E a carreira de Maria Teresa começou com uma simples aposta entre irmãos. Parece tão comum não é mesmo? Seus irmãos não acreditavam que ela podia ser rápida, mas De Filippis, não abaixou a cabeça e apostou que seria veloz. Pegou o Fiat 500 que tinha ganhado de seu pai e se enfiou na sua 1ª competição, um percurso de 10 km de Salermo-Cava dei Tirreni.

    Aí a italiana começou a formar seu currículo, e foi competindo em várias provas, chegando até ser vice-campeã do campeonato italiano. Com 28 anos, Maria Teresa chamava a atenção dos participantes do automobilismo, e a Maserati a contratou para fazer parte da sua equipe de fábrica.

    Entrada na Fórmula 1

    Maria Teresa de Fillipes em seu carro de corrida/ Foto: Salracing

    Tudo parecia incrível, Maria Teresa tinha entrado na Fórmula 1, tendo apoio dos pais, seu mentor era o Fangio, competindo pela Maserati, mas tinha pelo menos um porém. Sua contratação, assim como era comum na época para todos os pilotos, dizia que metade da premiação iria para a equipe. Entretanto, se ela não ganhasse, sairia no prejuízo.

    Não que isso fosse um problema para ela. Maria Teresa vinha de uma família italiana rica, que não entendia exatamente a paixão que De Filippis tinha por carros, mas que incentivava ela. Em uma entrevista para o Motorsport Magazine (site em Inglês), a piloto disse que sua mãe não era contra ela participar das competições, porque Maria estava sempre vencendo.

    Mas se dinheiro para De Filippis não era problema, receber ordens com certeza era. Em uma conversa com Enzo Ferrari, Maria Teresa chegou a bater de frente com o “il Commendatore” (Comandante), e se recusou a trabalhar para o italiano criador da Scuderia Ferrari, preferindo fazer parte da Maserati.

    Maria Teresa chegou a participar de cinco Grandes Prêmios durante sua passagem pela Fórmula 1, e mesmo quando a Maserati saiu da F1, ela permaneceu com um carro privado, o modelo 250 F, e que era defasado quando comparado aos outros bólidos do grid.

    Embora tenha tentado participar do Grande Prêmio de Mônaco, ela não conseguiu se classificar para a prova. Então, sua estreia na Fórmula 1 foi no Grande Prêmio da Bélgica, no circuito de Spa Francorchamps, em 1958, prova vencida por Tony Brooks (Vanwall) e ela conseguiu terminar em 10º lugar. 

    Na França ela não conseguiu participar, porque segundo o diretor de provas Toto Roche, o único capacete que Maria Teresa deveria usar estava no salão de beleza. No Grande Prêmio de Portugal, ela não conseguiu terminar a prova. Em Monza, na Itália, ela precisou sair da prova na 57ª volta. 

    Em 1959, Maria Teresa decidiu ir para a Porshe, e tentou participar de novo da etapa de Mônaco, mas sem sucesso. A “Signorina F1” (Senhorita), apelido que ganhou na sua carreira, parou de competir nesse mesmo ano, impactada pelas mortes de alguns de seus amigos na Fórmula 1.

    Sua última prova seria na Alemanha, mas decidiu de última hora não ir, e foi nessa prova que Jean Behra morreu. Behra foi o piloto que a influenciou a ir para a Porshe, e sua morte foi a gota d’água para Maria Teresa sair do mundo do automobilismo. 

    Volta para o mundo da velocidade

    Maria Teresa de Fillipis/ Foto: Terceiro Tempo

    Um ano depois de sair da Fórmula 1, Maria Teresa se casou com um químico Austríaco e formou sua família. Só depois de quase 20 anos sem sequer acompanhar as corridas, que De Filippis voltou a fazer parte desse mundo, até pilotando carros antigos em eventos. Em 1997, Maria Teresa de Filippis se tornou vice-presidente do clube da Maserati. 

    No dia 9 de janeiro de 2016, foi divulgada a notícia que Maria Teresa tinha falecido, e a causa da morte não foi divulgada. Também segundo ao jornal The Guardian, a piloto deixou seu marido Theodor Hushek, sua filha Carola e duas netas.