Maktub: quando o 11 de Setembro encontrou O Clone

Vinte e cinco depois do atentado, a influência do episódio ainda se mostra forte no mundo e da teledramaturgia brasileira.

Por Renata Resende

Na data de hoje se completa 25 anos de um dos maiores ataques terroristas, que já aconteceram na história mundial. A Organização Al-Qaeda, depois de planejar cada passo durante anos, finalmente colocou em prática sua intenção.

O Plantão.

Atentado do dia 11 de setembro de 2001. Imagem: Jovem Pan

Quatro aviões internacionais estadunidenses são sequestrados, e os extremistas que fizeram o sequestro conseguiram concluir três dos quatro objetivos. Dois dos aviões foram lançados contra as Torres Gêmeas em Nova York, um avião atingiu o Pentágono e o último, felizmente não chegou no destino planejado pelos extremistas, que muito se acreditava que seria a Casa Branca.

Sabe-se lá porque, criou-se uma memória coletiva que o plantão que foi ao ar na Rede Globo, interrompeu um episódio de Dragon Ball Z. No entanto, a emissora disse que esse Anime não estava passando quando o plantão começou.

O ataque aos EUA, alterou a programação da emissora global, e também quase fez com que a Globo desistisse da ideia de lançar a próxima novela das nove, chamada O Clone.

O ator, que deu vida ao personagem Said, Dalton Vigh contou em uma entrevista ao canal Splash, que a novela quase foi engavetada, pouco menos de um mês antes da sua estreia.

Sobre o atentado, Dalton revelou que “rolou uma preocupação na Globo se a novela iria ser exibida mesmo, porque se tratava de mundo islâmico”.

Porém a emissora seguiu com o plano, e no primeiro dia de outubro, o folhetim chegou para substituir Porto dos Milagres. Hoje em dia, a escolha de manter o projeto dessa novela, pode ser consideradas umas das mais acertadas pela Rede Globo.

“Somente por amor”.

A canção, de Marcus Viana, entrou na memória dos brasileiros, já que a cada vez que o casal injustiçado trocavam olhares, começava “somente por amor”.

O Clone conta a história de Jade (Giovanna Antonelli), uma moça mulçumana criada no Brasil, que precisou se mudar para o Marrocos, terra natal de sua família quando sua mãe morreu. Porém, o choque cultural seria o menor dos problemas que ela ainda enfrentaria na sua jornada.

Por acaso do destino, é no Marrocos que Jade conhece seu amor, Lucas. O problema é que Lucas (Murilo Benício) era brasileiro e estava apenas de passagem com sua família pelo Oriente. Mesmo os dois se apaixonando loucamente, a união foi proibida, já que o contexto religioso não permitia o casamento entre uma mulçumana e um ocidental não convertido.

Embora a novela tivesse várias tramas impactantes, a emissora de Roberto Marinho, teve receio de como o público receberia a história centrada no mundo do Oriente Médio. Olhando hoje em dia, dá para perceber que a preocupação foi em vão.

O Brasil descobrindo o mundo islâmico pela TV.

Glória Perez, a autora da novela O Clone, talvez não tivesse ideia do impacto que o folhetim teria no Brasil. Personagens como tio Ali, Dona Jura (Solange Couto), Nazira (Eliane Giardini ) e Albieri (Juca de Oliveira) chamaram a atenção na trama.

O tio Ali, vivido por (Stênio Garcia) foi um dos personagens mais carismáticos e, talvez, o que mais mostrou que o Islamismo é muito mais do que extremismo religioso. Ali muitas vezes discutia com Abdu (Sebastião Vasconcelos), sobre os ensinamentos do Alcorão, e por vezes, passava pano nos malfeitos de Jade.

A novela influenciou tanto que muitas mulheres quiseram aprender a dança do ventre, tanto encenada pelas personagens árabes. Nas bancas, algumas revistas ensinavam a fazer aquelas joias que ligavam uma pulseira até um anel no dedo.

O preconceito contra os islâmicos não foi erradicado no Brasil, mas pelo menos foi reduzido, afinal Glória Perez mostrou que o problema não é a religião em si, e sim os extremistas que usam a religião como desculpa pelos seus atos.

Opinião mulçumana.

Mariam Chimi, pode falar sobre como foi recepção da novela O Clone, para os islâmicos no Brasil. Segundo ela, no podcast Pode Dar Prado, o folhetim “foi, ao mesmo tempo, um desserviço e importante, porque naquela época todo mundo achava que o Islã, era tipo que os mulçumanos eram terroristas.”

A parte ruim, segundo ela, é que seu líder que fez parte da produção da novela disse que muitos, que antes eram preconceituosos, agora achavam que os mulçumanos eram dançarinos.

Maktub (مكتوب), estava escrito.

Jade e Lucas, personagens da novela O Clone. Imagem: CNN Brasil.

Os impactos do ataque são sentidos até hoje, e a memórias das vítimas, que morreram no dia 11 ou depois (consequência da intoxicação causada pela queda das torres) seguem sendo honradas.

Felizmente, a estreia da novela O Clone amenizou, pelo menos um pouco que nem todos mulçumanos seguem essa linha de raciocínio extremista.

Fontes consultadas:

Entrevista de Dalton Vigh ao canal Splash

Entrevista de Mariam Chimi ao podcast Pode Dar Prado https://www.youtube.com/watch?v=Pgx-nk-tvZo

Estadão. Cerimônias de 11 de Setembro: minuto de silêncio, discurso de Trump e presença de ex-presidentes dos EUA. Disponível em: Estadão. Acesso em: 11 set. 2026

Comentários

Deixe um comentário