Vinte e cinco depois do atentado, a influência do episódio ainda se mostra forte no mundo e da teledramaturgia brasileira.
Por Renata Resende
Na data de hoje se completa 25 anos de um dos maiores ataques terroristas, que já aconteceram na história mundial. A Organização Al-Qaeda, depois de planejar cada passo durante anos, finalmente colocou em prática sua intenção.
O Plantão.

Quatro aviões internacionais estadunidenses são sequestrados, e os extremistas que fizeram o sequestro conseguiram concluir três dos quatro objetivos. Dois dos aviões foram lançados contra as Torres Gêmeas em Nova York, um avião atingiu o Pentágono e o último, felizmente não chegou no destino planejado pelos extremistas, que muito se acreditava que seria a Casa Branca.
Sabe-se lá porque, criou-se uma memória coletiva que o plantão que foi ao ar na Rede Globo, interrompeu um episódio de Dragon Ball Z. No entanto, a emissora disse que esse Anime não estava passando quando o plantão começou.
O ataque aos EUA, alterou a programação da emissora global, e também quase fez com que a Globo desistisse da ideia de lançar a próxima novela das nove, chamada O Clone.
O ator, que deu vida ao personagem Said, Dalton Vigh contou em uma entrevista ao canal Splash, que a novela quase foi engavetada, pouco menos de um mês antes da sua estreia.
Sobre o atentado, Dalton revelou que “rolou uma preocupação na Globo se a novela iria ser exibida mesmo, porque se tratava de mundo islâmico”.
Porém a emissora seguiu com o plano, e no primeiro dia de outubro, o folhetim chegou para substituir Porto dos Milagres. Hoje em dia, a escolha de manter o projeto dessa novela, pode ser consideradas umas das mais acertadas pela Rede Globo.
“Somente por amor”.
A canção, de Marcus Viana, entrou na memória dos brasileiros, já que a cada vez que o casal injustiçado trocavam olhares, começava “somente por amor”.
O Clone conta a história de Jade (Giovanna Antonelli), uma moça mulçumana criada no Brasil, que precisou se mudar para o Marrocos, terra natal de sua família quando sua mãe morreu. Porém, o choque cultural seria o menor dos problemas que ela ainda enfrentaria na sua jornada.
Por acaso do destino, é no Marrocos que Jade conhece seu amor, Lucas. O problema é que Lucas (Murilo Benício) era brasileiro e estava apenas de passagem com sua família pelo Oriente. Mesmo os dois se apaixonando loucamente, a união foi proibida, já que o contexto religioso não permitia o casamento entre uma mulçumana e um ocidental não convertido.
Embora a novela tivesse várias tramas impactantes, a emissora de Roberto Marinho, teve receio de como o público receberia a história centrada no mundo do Oriente Médio. Olhando hoje em dia, dá para perceber que a preocupação foi em vão.
O Brasil descobrindo o mundo islâmico pela TV.
Glória Perez, a autora da novela O Clone, talvez não tivesse ideia do impacto que o folhetim teria no Brasil. Personagens como tio Ali, Dona Jura (Solange Couto), Nazira (Eliane Giardini ) e Albieri (Juca de Oliveira) chamaram a atenção na trama.
O tio Ali, vivido por (Stênio Garcia) foi um dos personagens mais carismáticos e, talvez, o que mais mostrou que o Islamismo é muito mais do que extremismo religioso. Ali muitas vezes discutia com Abdu (Sebastião Vasconcelos), sobre os ensinamentos do Alcorão, e por vezes, passava pano nos malfeitos de Jade.
A novela influenciou tanto que muitas mulheres quiseram aprender a dança do ventre, tanto encenada pelas personagens árabes. Nas bancas, algumas revistas ensinavam a fazer aquelas joias que ligavam uma pulseira até um anel no dedo.
O preconceito contra os islâmicos não foi erradicado no Brasil, mas pelo menos foi reduzido, afinal Glória Perez mostrou que o problema não é a religião em si, e sim os extremistas que usam a religião como desculpa pelos seus atos.
Opinião mulçumana.
Mariam Chimi, pode falar sobre como foi recepção da novela O Clone, para os islâmicos no Brasil. Segundo ela, no podcast Pode Dar Prado, o folhetim “foi, ao mesmo tempo, um desserviço e importante, porque naquela época todo mundo achava que o Islã, era tipo que os mulçumanos eram terroristas.”
A parte ruim, segundo ela, é que seu líder que fez parte da produção da novela disse que muitos, que antes eram preconceituosos, agora achavam que os mulçumanos eram dançarinos.
Maktub (مكتوب), estava escrito.

Os impactos do ataque são sentidos até hoje, e a memórias das vítimas, que morreram no dia 11 ou depois (consequência da intoxicação causada pela queda das torres) seguem sendo honradas.
Felizmente, a estreia da novela O Clone amenizou, pelo menos um pouco que nem todos mulçumanos seguem essa linha de raciocínio extremista.
Fontes consultadas:
Entrevista de Dalton Vigh ao canal Splash
Entrevista de Mariam Chimi ao podcast Pode Dar Prado https://www.youtube.com/watch?v=Pgx-nk-tvZo
Estadão. Cerimônias de 11 de Setembro: minuto de silêncio, discurso de Trump e presença de ex-presidentes dos EUA. Disponível em: Estadão. Acesso em: 11 set. 2026

Deixe um comentário