Coreia: Uma história em cinco atos: Antes da Divisão.

Dos Três Reinos até o fim das dinastias.

Guerreiros Goguryeo/ Imagem: History Maps.

Por Renata Resende

Berço de uma das culturas mais famosas da Ásia, a Coreia do Sul chegou até ser palco da Fórmula 1. Mas antes de ser o que conhecemos hoje, a Coreia do Sul passou por um longo processo histórico, que vem desde a pré-história, reinos, unificação e até a divisão da península. E é sobre a história coreana que vamos ver no post de hoje.

Da Pré-história aos Reinados.

Em milênios antes de Cristo, a península coreana já deixava vestígios da rica cultura que teria hoje. Com monumentos, tumbas e cerâmicas, os antepassados coreanos foram deixando sua marca, preparando o terreno para a vinda de descendentes.

Quando começou a era dos reinados, ou como são conhecidos “Os Três Reinos”, eles disputavam entre si pelo controle da península, expandiam o território, e até faziam alianças com estrangeiros.

A Coreia também teve forte influência da China, politica e culturalmente, principalmente quando o Reino Silla (신라) se aliou aos chineses para derrotar o Reino Goguryeo (고구려). Mas antes de ver os conflitos entre eles, nada melhor que ver um pouco mais sobre cada Reino coreano.

Pintura da época Goguryeo. Imagem: Centro Cultural Coreano no Brasil.

O Goguryeo foi o reino que o Budismo se destacou como religião oficial. Fundado por Jumong (주몽), teve seu ápice quando expandiu o território coreano, chegando até pegar um pedaço da atual Rússia. Embora tenha tido seus anos de prosperidade, tenha subjugado o Reino Silla e vencido na guerra Goguryeo-Sui, depois de um tempo essa dinastia foi enfraquecida.

Outro desses reinos é o Balhae (발해) que, por sua vez, anexou algumas províncias e era importante na sua região, tanto politica quanto militarmente. Nos conflitos, chegou a bater de frente tanto com o Reino Gogureyo quanto com colônias chinesas próximas. Seu ápice foi quando conquistou boa parte da península centralizou o governo. Esse Reino era tão importante que chegou a disseminar o budismo pela Ásia oriental e levou sua cultura coreana até os japoneses.

O Reino Silla se aliou aos chineses da dinastia Tang, e essa aliança foi fundamental para derrotar Goguryeo e Balhe (anos depois Silla iria entrar em conflito com os Tang também). Governando por 200 anos, Silla unificou a Coreia e tornou-se um Estado tributário da China.

O declínio desse reino foi lento, com revoltas e instabilidade política, mas foi o suficiente para a formação de um novo reino, o chamado Reino Goryeo (em inglês).

Nesse reino, se destacam alguns acontecimentos como o golpe militar que tirou a nobreza do poder e colocou no seu lugar, um regime militar que durou 60 anos. O budismo entrou em ascensão, com sua fé influenciando na literatura, na arte e na ciência. E claro, não dá para ficar de fora a invasão Mongol sobre a Coreia… sim, os mesmos que colocaram seus pés na Hungria. (Os Mongóis merecem um post a parte né?)

Leia também: Hungria: uma viagem na história até Hungaroring.

Foram décadas de lutas, e o Reino Goryeo acabou se aliando aos seus invasores, mas conseguindo manter a sua cultura.

Em 1392, começou a última dinastia da história coreana. Com apoio chinês, mais especificamente Ming, o general Yi Songgye tomou o poder e deu início a dinastia Yi. A Coreia era fortemente influenciada tanto política pela cultura chinesa. Seul se tornaria sua nova capital e até a religião oficial foi trocada, quando o budismo foi proibido e o Confucionismo entrou no lugar.

A Coreia se tornaria um centro do saber, com criações como a técnica de impressão por xilogravura. Mas o destaque mesmo fica com o alfabeto promulgado. O Hangul começaria oficialmente, mas eles não imaginavam quantos estrangeiros do século XXI estariam loucos para aprender o idioma coreano, influenciados principalmente pela música e doramas.

No final do século XV, o cenário começaria a mudar. A administração começa a enfraquecer, e os japoneses tentam invadir a península, pois queriam chegar na China. Foram seis anos de lutas contra samurais e boa parte da Coreia é devastada. O Japão falha no seu objetivo, pois não conseguiram vencer os navios tartarugas coreanos. Mesmo saindo vitoriosa, a Coreia acabou seguindo o destino da China um tempo depois.

No século XIX, a China não estava no seu melhor momento. Enfrentando rebeliões internas, dificuldades econômicas e até pressão do ocidente, os chineses mal conseguiam se proteger, imagina proteger outros Estados que estivem sob sua influência. Com China e Coreia enfraquecidas, chegou o momento que o Império Japonês queria para concretizar seu plano de dominar o mundo…(tá, os planos eram dominar pelo menos a Ásia).

Se o Japão conseguisse a Coreia, ele conseguiria um ponto estratégico importante para se defender de futuras ameaças vindas do continente asiático. Pensando nisso, pressionou a Coreia para assinar o Tratado de Ganghwa, e assim a península foi obrigada abrir seu portos de comércio para o Japão e os japoneses receberem direitos extraterritoriais.

Esse foi só o começo da derrocada temporária da Coreia, que se tornava por agora, um Estado independente… Esperem que vem ainda vem a parte 2.

Comentários

Uma resposta a “Coreia: Uma história em cinco atos: Antes da Divisão.”

  1. Avatar de Coreia, História em cinco Atos: Resistência Cultural. – Poliglota nas Pistas

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