Por Renata Resende

Várias cidades e circuitos fazem parte da história da Fórmula 1, mas só uma cidade se destaca por ter o circuito mais longo já usado na categoria, o Circuito de Pescara. Com apenas 25,8 km de comprimento, o circuito de estrada, hoje desativado, recebe o mesmo nome da cidade onde acontece a largada e a bandeirada de chegada. Mas este circuito traz curiosidades interessantes, que faz com Pescara fique sempre marcada na história da F1.
O Circuito de Pescara, Itália

Situada na Costa Adriática da Itália, Pescara é uma cidade cheia de praias ao longo da sua costa, e atrações para vários bolsos. Mas a cidade italiana não entrou no calendário da Fórmula 1 na temporada de 1957, por sua beleza, e sim como um Grande Prêmio reserva.
O circuito tinha como configuração temporária quase o formato de um triângulo e passava por três cidades diferentes, o tornando um circuito de estrada. A largada acontecia em Pescara, passava por Cappelle sul Tavolo, Montesilvano e volta para Pescara para a linha de chegada. Com duas retas intermináveis, só os melhores pilotos tinham chance de vencer a corrida naquela estrada.
Antes mesmo da Fórmula 1 chegar lá, acontecia a Coppa Acerbo, e na primeira corrida que aconteceu no circuito de Pescara, em 1924, quem levou a vitória para casa foi ninguém mesmo que Enzo Ferrari, pilotando uma Alfa Romeo. E foi também o Commendatore que se recusou a colocar seus carros para competirem no único Grande Prêmio de Pescara na Fórmula 1.
Foram duas as teorias do porque Enzo Ferrari tomou essa decisão. Uma era que Ferrari estava protestando, indo contra as corridas de estrada porque ele tinha perdido o piloto Alfonso di Portago, na famosa corrida Mille Miglia. Essa prova que aconteceu em 1957 é retratada no filme Ferrari, lançado em 2023, e o di Portago é representado pelo ator brasileiro Gabriel Leone, que também interpretou Ayrton Senna na série da Netflix.
A outra teoria é que Ferrari estava com medo de colocar seus pilotos no GP de Pescara, e eles acabarem se machucando durante a corrida, ou até acontecendo algum acidente fatal. E ele tinha motivo para isso. O circuito era bem perigoso e foi o primeiro a receber uma chicane artificial para quebrar a velocidade dos pilotos no trecho próximo ao Mar Adriático.
O Grande Prêmio de Pescara, Fórmula 1, 1957

Mesmo Ferrari não querendo colocar seus pilotos e carros na prova, ele acabou cedendo um carro para o insistente Luigi Musso. O GP contou com 16 pilotos, com Juan Manoel Fangio na pole position. Musso que tanto quis competir com o carro da Ferrari, por conta própria foi um dos nove pilotos a não concluírem a prova por causa do problema de fuga de óleo do carro, que deixou rastro na pista.
Fangio, que perdeu a pole para Stirling Moss, estragou uma das rodas de sua Maserati, dando uma folga para o britânico Moss. O incidente mais perigoso da prova foi quando Horace Gould, numa outra Maserati, atropelou um mecânico. Sobre o estado do mecânico, não foi encontrada nenhuma informação.
Quando terminou a prova, Stirling Moss (Vanwall), Fangio (Maserati) e Harry Schell (Maserati) subiram ao pódio em primeiro, segundo e terceiro lugar respectivamente. A Maserati contou com dez dos dezesseis carros presentes na pista. As outras equipes a se inscreverem no Grande Prêmio (em inglês) foram a Vanwall, Cooper Climax e Luigi Mossi com uma Ferrari.
Fim do Circuito de Pescara
A última prova aconteceu em 1961, sendo uma corrida de Endurance. Devido a falta de segurança, tanto para os pilotos quanto para o público, o circuito foi desativado.
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