Por Renata Resende

Antes mesmo de fazer história do mundo dos aviões, Santos Dumont deixou sua marca na história brasileira automobilística brasileira.

Desembarcando no Porto de Santos, o mineiro não veio acompanhado somente da sua família. Ele tinha trazido a bordo o primeiro carro que rodaria nas terras tupiniquins: o Peugeot Type 3.

Mudança de planos

No livro Os Meus Balões, Alberto Santos Dumont relembra sua vida, desde quando era criança e preferia ficar entre as máquinas do que trabalhar na plantação cafeeira de sua família em São Paulo.

O amor e a aptidão que mostrou desde cedo, quando aos sete anos já pilotava máquinas de grandes rodas na fazenda em que vivia, davam indícios de quem ele iria se tornar no futuro.

Relembrando de uma brincadeira de sua infância “passarinho voa”, Dumont conta como era motivo de piada por sonhar que o homem podia voar. E esse sonho não ficou só na infância.

Quando viajou com sua família para a França em 1891, terra dos antepassados de seu pai, uma das maiores expectativas de Dumont era ter mais acesso às tecnologias relacionadas aos aeromodelos.

Afinal, foi na França o lançamento do primeiro balão cheio de hidrogênio. Aquele país seria perfeito para ele aprender cada vez sobre o mundo dos aeronautas.

Infelizmente, ele não teve sucesso nessa sua viagem à Paris e ficou desapontado com os aeronautas que “estavam decididos a guardar a aerostação só para eles, como um segredo de Estado”.

Mas sua estadia em Paris não foi em vão. Dumont podia ter se frustrado com seu plano inicial, mas decidiu voltar sua atenção aos automóveis.

Foi nas ruas francesas que ele encontrou uma das máquinas que iria impactar o rumo do automobilismo mundial.

Um Peugeot, que hoje tanto vemos nas ruas, mas que na época foi uma das maiores inovações nos automóveis.

O Peugeot que fez história

Peugeot Type 3. Imagem: Museo Nazionale dell’Automobile

O automobilismo ainda dava primeiros passos nas ruas e nos circuitos, quando Armand Peugeot trouxe ao mundo os primeiros modelos dos carros que levariam seu sobrenome ser conhecido internacionalmente.

O modelo adquirido por Dumont era uma versão atualizada do Type 2.

Equipado com um motor Daimler de 2 cilindros e que, entre suas características, alcançava uma velocidade média de 18 quilômetros por hora, o automóvel chamou a atenção nas ruas parisienses.

Para demonstrar que o carro era resistente, a fabricante Société Anonyme des Automobiles Peugeot inscreveu o modelo em uma famosa competição de bicicletas.

Foi na corrida Paris-Brest-Paris, organizada pelo jornal Le Petit Journal, em que o Peugeot Type 3 apareceu pela primeira vez ao público.

Mesmo tendo problemas no trajeto no segundo dia de prova, os pilotos Auguste Doriot e Louis Rigoulot conseguiram terminar a prova. O funcionamento do carro ao longo da competição pode ter sido na base da gambiarra, mas o modelo foi considerado um sucesso de acordo com a imprensa.

E não foi só no Brasil que ele entrou para a história como primeiro carro a rodar no país.

Em 1893, Gaetano Rossi encomendou a sua unidade, fazendo desse automóvel o primeiro a ser guiado nas ruas italianas.

Carruagens sem cavalos

Hoje é comum ver vários Peugeot, Hondas, Toyotas e outros modelos mais passando pelas ruas brasileiras. Os modelos variam, desde o número de portas até a potência de cada motor.

Porém, no início do século XX era um advento e tanto ver uma carruagem que não precisava ser puxada por cavalos. Era quase coisa de outro mundo.

A atitude de Santos Dumont foi fazer uma compra em Paris e levar para sua terra natal. Uma simples ação para ele, mas que impactou toda a história do automobilismo brasileiro.

Se ter esse modelo em mãos já foi uma admiração, imagina se ele andasse nos dias de hoje por uma cidade interiorana de Minas Gerais e nas ruas visse modelos e mais modelos de carros hein?

Quando olhasse para o céu com certeza acharia que teria chegado ao paraíso.

Referências

SANTOS-DUMONT, Alberto. Os meus balões (Dans l’air). Tradução do original francês por A. de Miranda Santos. 2. ed. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2016. 348 p. (Edições do Senado Federal, v. 198).

PEUGEOT FRANCE. Peugeot Type 3 – Peugeot Tipo 3. 2017. Disponível em: https://peugeotfrance.blogspot.com/2017/01/peugeot-type3-peugeot-tipo3.html. Acesso em: 4 nov. 2026

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